Série de explosões quebra tranquilidade de pleito no Iraque

Agustín de Gracia e Ali Jabouri. Bagdá, 7 mar (EFE).- Em um dia que começou com uma série de explosões que mataram pelo menos 38 pessoas e deixaram cerca de 80 feridos, os iraquianos desafiaram as ameaças terroristas e foram às urnas escolher um novo Parlamento.

EFE |

Para a votação de hoje, decisiva para a consolidação democrática do país, foram convocados 18,9 milhões de eleitores.

Do Parlamento eleito sairá a próxima coalizão governista. Além disso, os deputados se encarregarão de eleger o novo presidente, que terá menos funções executivas que o primeiro-ministro.

Desde o começo da manhã, nas ruas de Bagdá a imagem mais frequente era a de eleitores indo a pé para os centros de votação, já que, até o meio-dia, o trânsito de veículos foi proibido.

O silêncio na cidade só era quebrado pelas explosões ouvidas em diferentes pontos da capital, na maioria das vezes causadas por granadas.

Fontes da Polícia disseram à Agência Efe que as explosões mataram 38 pessoas e feriram cerca de 80, um número de vítimas relativamente baixo se comparado com o de outras datas com menos importância política que a de hoje.

"Eu votei e não me importo com as explosões", declarou à Efe o funcionário público Abu Ali, que tem 32 anos e foi votar em um colégio eleitoral perto do aeroporto de Bagdá.

"Estamos acostumados com estas bombas e acho que alguns destes grupos são apoiados pelo Governo para botar medo nos sunitas", afirmou, por sua vez, o também servidor público Abu Sayad, de 40 anos.

A coalizão terrorista em atividade no Iraque, que mantém estreitos laços com a Al Qaeda, havia dito que tentaria impedir a votação de hoje. A ameaça foi cumprida praticamente instantes depois do começo da votação, às 7h (1h de Brasília).

O mais sangrento dos ataques deste domingo aconteceu em um distrito no leste da capital, onde dois morteiros que caíram sobre dois edifícios mataram 25 pessoas e feriram 19, segundo fontes do Ministério do Interior.

As outras vítimas foram de explosões ocorridas em outros pontos de Bagdá, embora também tenha havido ataques nas províncias de Diyala, Ninawa e Anbar.

Os morteiros lançados pelos rebeldes atingiram até a Zona Verde, onde ficam vários ministérios e embaixadas. Nessa área, porém, não foram registradas vítimas.

Nos colégios eleitorais instalados em Bagdá, praticamente não se vi propaganda eleitoral. E, até o meio-dia, o comparecimento às urnas não era expressivo, apesar da boa organização e das fortes medidas de segurança.

A vigilância, no entanto, variava de acordo com o tamanho do centro de votação. No de Diyla wa Qeida, perto da ponte que cruza o rio Tigre e liga o centro de Bagdá com o resto da cidade, o eleitor era revistado três vezes e obrigado a se identificar várias outras.

Os soldados e policiais que estavam a postos nesse colégio eleitoral retinham até os maços de cigarro, que eram empilhados na entrada e devolvidos na saída.

A segurança era tão rígida em Diyla wa Qeida que mesmo as canetas eram recolhidas. "Guarde na cabeça e anote quando sair", disse um dos agentes aos jornalistas da Efe.

Já em um colégio eleitoral do bairro de Karrada, a vigilância era menor. Os policiais revistavam os eleitores apenas uma vez.

Só a partir do meio-dia, quando as autoridades voltaram a liberar o tráfego, é que, pouco a pouco, a cidade começou a recuperar seu ritmo habitual.

A circulação de veículos, no entanto, só foi liberada para aqueles que tinham, no mínimo, três passageiros. A restrição, aparentemente, tinha como objetivo evitar a passagem de carros-bomba, geralmente ocupados por apenas uma pessoa.

Em declarações à TV estatal após votar, o primeiro-ministro iraquiano e candidato à reeleição, Nouri al-Maliki, disse esperar que as explosões da manhã não desanimem os eleitores.

"Estes ataques, em hipótese alguma, afetarão o estado de ânimo dos iraquianos", afirmou Maliki, As autoridades eleitorais não disseram quando os resultados finais deverão ser anunciados. Na eleição mais recente, as regionais de janeiro de 2009, a apuração terminou depois de quase um mês. A expectativa é que a contagem dos votos leve o mesmo tempo desta vez.

EFE ag/sc

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