Série de explosões deixa 3 mortos na Tailândia

Por Jason Szep e Martin Petty BANGCOC (Reuters) - Uma série de explosões de granadas abalou o distrito empresarial de Bangcoc na quinta-feira, matando ao menos três pessoas e deixando 75 feridos, aumentando as tensões durante um confronto entre soldados e manifestantes anti-governo.

Reuters |

Cinco explosões atingiram uma área lotada de soldados fortemente armados e repleta de bancos, escritórios e hotéis. Quatro ficaram gravemente feridos, incluindo dois estrangeiros, de acordo com funcionários de hospitais.

As granadas M-79, disparadas de lançadores portáteis contra uma área onde se reuniam centenas de manifestantes pró-governo, eram do mesmo tipo das que atingiram soldados durante um violento confronto com manifestantes que resultou em 25 mortes no dia 10 de abril.

Os soldados, muitos armados com fuzis M-16, estão na área desde segunda-feira para conter os "camisas-vermelhas" anti-governo, que formaram uma barricada num cruzamento que leva ao distrito também conhecido pelos movimentados bares de dança.

O governo afirmou que as granadas foram disparadas da área de protesto dos camisas-vermelhas. Os líderes dos camisas-vermelhas, que têm feito protestos em Bangcoc há quase sete semanas em busca de novas eleições, negaram terem sido eles os responsáveis.

Imagens de TV mostraram sangue espalhado pelas calçadas, janelas de escritório quebradas e uma cena caótica, enquanto moradores em pânico levavam os feridos para quase uma dezena de ambulâncias.

"É preocupante, vendo ambulâncias, as pessoas fugindo. A polícia e o Exército não parecem estar no controle", disse o turista holandês Herman Koopman.

Depois das explosões, centenas de manifestantes pró-governo reagruparam e lançaram garrafas de vidro e pedras contra os camisas-vermelhas até que a polícia anti-choque os afastou com cassetetes. Os camisas-vermelhas responderam jogando de volta pedras e garrafas.

A mídia local disse que cinco pessoas foram detidas.

Uma explosão ocorreu na frente da sede do Charoen Pokphand Group, o maior grupo de agronegócios da Tailândia. Outra ocorreu perto do Dusit Thani Hotel. Outras atingiram partes da principal via do distrito, a Silom Road.

Após as explosões, os soldados bloquearam estradas com arame farpado e apontaram suas armas para o ar em direção aos telhados e a um sistema elevado de trens.

ALERTA DO EXÉRCITO

Perto das explosões, dezenas de milhares de camisas-vermelhas, simpatizantes do ex-premiê Thaksin Shinawatra, fortaleceram seu ponto de concentração no distrito com barricadas improvisadas, esperando uma tentativa do Exército de expulsá-los a qualquer momento.

Nenhum dos lados demonstrou qualquer sinal de recuo depois da caótica tentativa do Exército de expulsar os manifestantes de outro local no dia 10 de abril. O confronto deixou 25 mortos e mais de 800 feridos.

O Exército mais uma vez alertou que pode usar a força para dispersar a multidão de camisas-vermelhas. "Seus dias estão contados", disse o porta-voz das Forças Armadas, Sansern Kaewkamnerd, nesta quinta-feira.

Líderes camisas-vermelhas dizem que outra tentativa semelhante de afastar o protesto seria inútil e que os manifestantes deixariam Bangcoc apenas quando o primeiro-ministro anunciasse a dissolução do Parlamento e novas eleições.

"Estou enviando um sinal (ao permanecer no local e fortalecê-lo) de que quero ver suas cartas (de renúncia)", disse um dos três principais líderes camisas-vermelhas, Nattawut Saikuar.

O Banco Central deixou a taxa de juros em uma baixa recorde na quarta-feira, observando que os riscos políticos estavam "afetando a confiança no turismo, no consumo privado e nos investimentos."

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