Bagdá, 25 ago (EFE).- O Iraque e a Síria chamaram hoje para consultas seus respectivos embaixadores, depois que Bagdá pediu a extradição de dois dirigentes do antigo partido governante iraquiano, o Baath, acusado pelos atentados da quarta-feira passada, cuja autoria, no entanto, foi assumida pela Al Qaeda.

A acusação de Bagdá aponta diretamente para Mohammed Yunes al-Ahmed, que, segundo anunciou hoje o porta-voz do Governo do Iraque, Ali Dabbagh, reside na Síria e está "diretamente envolvido em operações terroristas".

Desde os atentados da quarta-feira, no centro de Bagdá, que causaram 87 mortes e deixaram mais de mil feridos, as autoridades do Iraque acusaram o dissolvido partido Baath de estar por trás do massacre, o pior deste ano.

Apesar de, no mesmo dia dos atentados, o Governo ter dito que os autores faziam parte de uma "aliança entre a organização Al Qaeda e grupos do Baath", na sexta-feira, um porta-voz militar afirmou que este partido ilegalizado era o principal responsável de planejar e executar os atos terroristas.

E também divulgou a gravação de um suposto autor intelectual, que se identificou como Kazem Ibrahim e que disse que recebia ordens do responsável de uma facção do Baath dirigida por al-Ahmed, cuja extradição foi pedida hoje por Bagdá.

Na Síria, o Baath é o partido governante, de tendência laica e socialista, mas não tem nada tem a ver com seu braço iraquiano, que foi seu rival durante anos e que monopolizou a vida política no Iraque durante a ditadura de Saddam Hussein, até sua derrubada, depois da invasão americana ao país em 2003.

O porta-voz do Governo do Iraque também anunciou que tinha decidido chamar para consultas seu embaixador na Síria, para estudar medidas baseadas na Justiça internacional que permitam "julgar os criminosos e genocidas contra civis iraquianos".

"O Governo do Iraque quer que a Síria entregue todos aqueles que tenham causas judiciais ou que tenham cometido crimes contra os iraquianos e fechar todas as organizações terroristas que tenham suas bases no Iraque", acrescentou o porta-voz.

Em resposta, na Síria, um porta-voz governamental não identificado citado pela agência oficial "Sana" anunciou que o regime de Damasco também tinha decidido chamar para consultas seu embaixador em Bagdá.

Além disso, a mesma fonte acrescentou que o Governo sírio acredita que, no Iraque, estejam surgindo "informações contraditórias das autoridades" sobre os atentados de quarta-feira em Bagdá, que foram "condenados energicamente em Damasco", segundo a "Sana".

As autoridades sírias, segundo a agência de notícias, estão prontas para receber uma delegação iraquiana para obter informações sobre os possíveis autores dos atentados.

"Se isso não ocorrer, a Síria considera que o que está sendo divulgando na mídia são provas inventadas por motivos políticos internos do Iraque", segundo a fonte.

O conflito diplomático entre a Síria e o Iraque acontece uma semana depois da visita do primeiro ministro do Iraque, Nouri al-Maliki, a Damasco, onde se reuniu com o presidente sírio, Bashar al-Assad, com quem abordou, entre outras coisas, a passagem de terroristas por sua fronteira comum.

A Síria abriga cerca de 500 mil refugiados iraquianos que chegaram após a invasão dos Estados Unidos, em março de 2003. Por sua parte, os EUA acusam a Síria de não controlar sua fronteira com o Iraque e de permitir a passagem de terroristas.

Em meio a estas disputas diplomáticas, uma organização iraquiana vinculada à Al Qaeda, o Estado Islâmico do Iraque, assumiu hoje a responsabilidade pelos atentados de quarta-feira, segundo anunciou em um comunicado divulgado em um fórum islamita na internet.

O Estado Islâmico do Iraque foi criado em 2006, para combater a ocupação militar americana e é integrado por oito grupos armados, liderados pela Al Qaeda no Iraque e com vínculos diretos com a organização terrorista liderada por Osama bin Laden.

O comunicado assinado pelo "Ministério de Informação do Estado Islâmico do Iraque" qualifica os ataques de quarta-feira como uma "invasão ao coração de Bagdá" e afirma que seus objetivos eram os ministérios mencionados, o de Defesa e "alguns refúgios do mal". EFE cai/pd

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