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Serial killers costumam ser pessoas comuns , diz FBI

A noção de que serial killers seriam pessoas solitárias e desajustadas com uma inteligência acima da média - uma imagem amplamente divulgada por filmes de Hollywood - é um mito perigoso que pode prejudicar investigações criminais, de acordo com um relatório divulgado pelo FBI (Federal Bureau of Investigation, a polícia federal americana). O relatório diz que vários serial killers não correspondem a essa imagem e que, por isso, teriam mais facilidade para agir despercebidos.

BBC Brasil |

"Muitos serial killers se escondem às vistas de suas comunidades", tendo casa, família, emprego e "parecem ser membros normais da comunidade".

"Como muitos assassinos seqüenciais podem se misturar (à comunidade) com facilidade, com freqüência, eles passam despercebidos por policiais e pelo público", disse o estudo da Unidade de Análise Comportamental do FBI.

Hollywood
O documento, compilado com base na experiência de 135 policiais, acadêmicos e especialistas em saúde mental, diz que boa parte do que as pessoas conhecem sobre esse tipo de crime vem de filmes de Hollywood.

"Os enredos são criados mais para estimular o interesse da audiência, do que para retratar com precisão o assassinato em série. Ao se concentrar nas atrocidades infligidas em vítimas por criminosos 'desajustados', o público é cativado pelos criminosos e seus crimes. Isto só cria mais confusão sobre a verdadeira dinâmica do assassinato em série", diz o relatório.

O filme O Silêncio dos Inocentes, que fez muito sucesso na década de 90, é apontado como um exemplo de como se criou esse mito. O personagem principal é um serial killer que é um psiquiatra canibal.

O FBI cita exemplos de vários serial killers da história recente dos Estados Unidos que não correspondem a essa imagem 'glamourizada'.

Entre eles, está Robert Yates, que matou 17 prostitutas na área de Washington na década de 90. Ele era casado, tinha cinco filhos e vivia em um bairro de classe média. Era um piloto de helicóptero militar condecorado.

Outro exemplo é Gary Ridgeway, que confessou ter matado 48 mulheres em 20 anos na região de Seattle. Tinha sido casado três vezes e ainda estava com uma esposa quando foi preso. Freqüentava a igreja regularmente.

Dennis Rader matou dez pessoas no Estado do Kansas. Ele tinha mulher e dois filhos, trabalhava no funcionalismo público.

Sem fanatismo sexual
Outro mito que o FBI tenta dissipar é que os serial killers são obcecados por sexo. Nem todos os assassinatos em série têm sexo como base. Revolta, gosto pela aventura, ganho financeiro e tentativa de chamar a atenção também são citados como motivos para esse tipo de crime.

Sentimentos de revolta e a busca por sensações extremas que levaram o ex-militar John Allen Muhammad e seu parceiro Lee Boyd Malvo a se tornarem os franco-atiradores de Washington D.C. Eles mataram dez pessoas. Comunicavam-se com a polícia por bilhetinhos e tentaram extorquir dinheiro para parar com os assassinatos.

Michael Swango, um médico, foi condenado por quatro assassinatos em NY e Ohio, embora seja suspeito de ter matado de 35 a 50 pessoas nos Estados Unidos e na África. Ele tinha um caderno com recortes de jornais e revistas sobre desastres naturais que fizeram muitas vítimas. A polícia acredita que ele pode ter sido fascinado pela morte.

Um outro mito seria o de que os serial killers têm problemas mentais acentuados ou são extraordinariamente inteligentes.

"Como um grupo, serial killers sofrem de vários distúrbios de personalidade", diz o relatório, ressaltando, contudo, que não chegam a ser considerados legalmente insanos.

A mídia criou vários serial killers de ficção 'gênios', que passam a perna na polícia o tempo todo, diz o documento. Isto está longe de ser a regra, de acordo com a polícia federal americana.

Como o resto da população, os criminosos vão dos pouco inteligentes aos de capacidade mental acima da média.

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