'Ser considerado louco é pior que a morte', diz extremista norueguês

Em carta, Anders Behring Breivik diz que ser enviado à instituição psiquiátrica seria humilhante para um 'ativista político'

iG São Paulo |

O extremista norueguês Anders Behring Breivik , que assumiu o duplo ataque que deixou 77 mortos no país no ano passado, contestou a avaliação médica que o considerou insano e disse que ser enviado a uma instituição psiquiátrica seria “pior que a morte”.

“Devo admitir que esta é a pior coisa que poderia acontecer comigo, a maior humilhação”, afirmou Breivik em carta de 38 páginas escrita na prisão e enviada à meios de comunicação noruegueses. “Enviar um ativista político a um hospital psiquiátrico é mais sádico e perverso do que matá-lo. É um destino pior que a morte.”

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AP
Anders Behring Breivik é visto durante audiência em Oslo (06/02)

Em novembro, dois psiquiatras indicados por um tribunal de Oslo consideraram que Breivik é “insano” e estava em estado psicótico quando cometeu os ataques. Outra avaliação foi pedida e, se confirmada, deve fazer com que Breivik seja enviado a uma instituição psiquiátrica em caso de condenação no julgamento que começar em 16 de abril.

Na carta, cujos trechos foram divulgados nesta quarta-feira, Breivik acusou os psiquiatras Torgeir Husby e Synne Soerheim de inventar “90% do conteúdo” das 13 reuniões que tiveram com ele.

"Husby disse em várias ocasiões que o que eu tinha feito era demoníaco e tenho a impressão de que ele me viu como um animal selvagem que tinha de ser preso e drogado a qualquer custo”, escreveu o extremista.

"Um evento que traumatizou a nação também traumatizou Husby e Soerheim a tal ponto que eles devem ser considerados como tendo um conflito de interesses? Pode ser que dois psiquiatras designados pelo tribunal que ficaram tão emocionalmente afetados pelo 22 de julho não sejam capazes de ser objetivos?", questionou.

O advogado de Breivik disse que iria convocar testemunhas de defesa para mostrar que seu cliente não é criminalmente insano.

Entre essas testemunhas estão Mullah Krekar, fundador curdo do grupo islâmico Ansar al-Islam, que recentemente foi preso na Noruega por fazer ameaças de morte, e "Fjordman", um blogueiro norueguês de direita, que teve grande influência intelectual sobre Breivik, segundo a polícia. Fjordman, cujo nome verdadeiro é Peder Jensen, negou ter qualquer ligação com o extremista.

Breivik foi indiciado em 7 de março sob o parágrafo da legislação antiterror da Noruega que se refere a atos de violência com o intuito de atingir instituições do governo ou semear medo entre a população.

Apesar de ter reivindicado a autoria do crime, Breivik rejeita a responsabilidade penal pelo massacre, afirmando que ele era "necessário" para salvar a Noruega e a Europa dos muçulmanos e do multiculturalismo.

Com AP e Reuters

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