Ser candidato presidencial nos Estados Unidos faz bem ao bolso

César Muñoz Acebes Washington, 18 abr (EFE).- Ser candidato à Presidência dos Estados Unidos é um trabalho sem salário, mas os três aspirantes a substituir George W.

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Bush conseguiram multiplicar sua riqueza durante a campanha, segundo suas declarações de renda.

O candidato republicano, o senador John McCain, que foi o último a tornar públicas suas contas e, à simples vista, o mais modesto, revelou hoje que em 2007 ganhou US$ 405.000.

Por sua parte, o senador democrata Barack Obama e sua mulher, Michelle, embolsaram US$ 4,2 milhões em 2007, o que representa um aumento incrível em relação aos exercícios anteriores.

Não alcançaram, no entanto, o casal formado pelo ex-presidente Bill Clinton e a pré-candidata democrata Hillary Clinton, que ganharam US$ 20,4 milhões, segundo sua declaração.

Mas na realidade, onde se trabalha com mais dinheiro é na casa de McCain, pois sua declaração não inclui a renda de sua esposa, Cindy McCain, que é presidente da Hensley and Company, uma empresa familiar de distribuição de cerveja.

Calcula-se que ela possua uma riqueza de cerca de US$ 100 milhões, os quais estão em seu nome porque o casal assinou um acordo pré-nupcial para manter os bens separados.

John McCain está, neste sentido, em uma posição similar à de John Kerry, que foi candidato democrata à Presidência em 2004. Kerry, também senador, é casado com Teresa Heinz Kerry, herdeira de outra fortuna familiar, de cerca de US$ 500 milhões.

A senhora Heinz Kerry revelou sua renda três semanas antes das eleições da época. Cindy McCain, por enquanto, não vai tomar a mesma atitude "para proteger a privacidade de seus filhos", segundo dirigentes da campanha de John McCain.

Os documentos divulgados hoje mostram que Cindy McCain ganhou cerca de US$ 430.000 em salário por seu trabalho para a Hensley and Company, mas não informam sobre os rendimentos de seus investimentos.

Ser casado com uma milionária não ajudou Kerry. Os adversários republicanos "pintaram" ele como um elitista interessado no windsurf - depois que a direção de sua campanha, em um erro tático, publicou uma foto dele em cima de uma prancha -, afastado das preocupações do cidadão comum.

Por outro lado, McCain até agora conservou a imagem de homem impassível e sofrido, ajudado por sua qualidade de ex-prisioneiro de Guerra do Vietnã.

Embora em outros países a riqueza pessoal dos candidatos possa repelir alguns eleitores, ela se transformou na regra nos EUA, onde as campanhas são cada vez mais caras.

Mas dedicar os esforços a falar com o povo comum ao longo do país também beneficia o bolso, pelo menos segundo a experiência dos três políticos que permanecem em disputa com o olho nas eleições presidenciais de novembro.

Para os Obama, a atenção dos meios de imprensa deu um empurrão enorme nas vendas dos dois livros do senador, que geraram um lucro para ele no valor de US$ 4 milhões em 2007, enquanto em 2006 sua renda, incluindo os respectivos salários, não chegou a US$ 1 milhão.

O casal Clinton tem a vantagem de ambos serem famosos e seus livros foram uma fonte substancial de renda. O ex-presidente, por exemplo, ganhou US$ 4,4 milhões nos últimos anos por sua autobiografia, "Minha vida".

A senadora Hillary, por sua vez, embolsou quase US$ 10,3 milhões por seu próprio livro de memórias, "A história viva".

Além disso, quase a metade dos US$ 20,4 milhões, ganhos no ano passado foram honorários do ex-presidente por ter ministrado palestras.

Pequena, em comparação, parece a conta de McCain. Em 2007 sua renda sujeita a impostos, após descontados os abatimentos, somou US$ 258.800, 20% mais que no ano anterior.

McCain ganhou US$ 176.500 com as vendas de seus cinco livros, mas os doou a obras de caridade.

Os aspirantes à Presidência dos Estados Unidos não têm obrigação de divulgar suas contas, mas tradicionalmente fazem-no voluntariamente, após serem indicados por seu partido. EFE cma/ma

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