Sequestros de crianças aterrorizam iraquianos

À medida que diminui a violência sectária e melhora a segurança no Iraque, surge uma nova ameaça à paz dos iraquianos: crimes violentos. A capital do país, Bagdá, foi atingida por uma onda de sequestros, a maioria deles, envolvendo crianças.

BBC Brasil |

Segundo a polícia, algumas gangues são motivadas simplesmente por dinheiro.

Mas grupos de insurgentes estariam cada vez mais recorrendo ao crime para financiar suas operações - já que suas fontes de sustento estão sendo gradualmente bloqueadas pelas forças de segurança iraquianas.

Tragédia

No dia 30 de setembro, o menino Muntadar Moussauwi, de 11 anos, foi sequestrado nas ruas de Bagdá. Ele nunca mais foi visto em vida.

"Veja o lugar onde ele ficou preso", diz o pai de Muntadar, Yussef, apontando para uma fotografia de baixa qualidade enviada a ele pelos sequestradores. "Uma criança da idade dele, presa num lugar como esse. Veja como ele parece assustado".

Os sequestradores contataram Yussef por telefone e ele concordou em pagar um resgate de US$ 25 mil.

"Eles me telefonaram para dizer que haviam pego o dinheiro e que iriam libertar meu filho dentro de uma hora. Mas eu acho que eles o mataram no mesmo dia em que o sequestraram. Eu paguei o resgate mas não tive meu filho de volta".

Desde então, os sequestradores foram presos. Eles eram da mesma área de Bagdá que a família Moussauwi. Na verdade, moravam do outro lado da rua.

Mais de uma semana após o menino ter sido sequestrado, vizinhos alertaram a polícia sobre um cheiro forte vindo de um prédio próximo. Foi ali que encontraram o corpo de Muntadar, já em decomposição, desfigurado por ácido.

"Eles haviam tentado esconder o corpo cobrindo-o com lixo", disse Yussef. Mas não conseguiram disfarçar o cheiro, que ainda impregna o local.

Patrulhas escolares

Muitos casos não são registrados na polícia, porque os parentes das vítimas temem irritar os sequestradores.

As autoridades dizem que não podem fornecer dados exatos sobre a quantidade de sequestros ocorridos desde o início da guerra, mas algumas estimativas sugerem que o número possa chegar a um por dia.

O general-brigadeiro Faisal Mohsin, da polícia de Bagdá, disse à BBC que acredita que pelo menos uma parte do dinheiro pago em resgates está financiando atividades de insurgentes.

"As forças iraquianas estão cada vez mais profissionais e no momento estão em alerta máximo", disse.

"(Elas estão) no rastro de todos os tipos de crime e cortando as fontes que financiam o terrorismo. Então alguns dos terroristas começaram a financiar suas atividades sequestrando crianças".

A situação ficou tão crítica em Bagdá que o Ministério da Educação instruiu escolas a tomar precauções especiais.

Houve um aumento no número de patrulhas de segurança e de barreiras dentro e em torno das escolas.

Professores foram instruídos a não deixar crianças irem para casa com qualquer pessoa exceto os pais, ou em ônibus escolares especiais.

Sorte

Taiseer tem três filhos e mora em uma casa modesta perto de uma mesquita no sul de Bagdá.

Uma de suas filhas, Rawan, tem sorte de estar em casa, brincando no jardim cercado de muros altos com seu ursinho de pelúcia novo. O pai lhe deu o ursinho quando ela foi libertada, no mês passado.

A menina, de quatro anos, disse que não se lembra muito bem do sequestro. O pai acha que ela foi drogada.

Mas quando os sequestradores perceberam que a família simplesmente não tinha dinheiro para pagar, soltaram a menina. A gangue nunca foi pega.

Taiseer disse que espera por um dia quando sua filha poderá ir à escola ou sair para brincar desacompanhada.

Mas por agora, embora explosões e assassinatos possam estar em declínio em Bagdá, os iraquianos que têm filhos estão cada vez mais temerosos pela segurança se suas crianças.

Leia mais sobre Iraque

    Leia tudo sobre: iraque

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG