Sequestradores pedem julgamento de membros da ONG Arca de Zoé

Cartum, 12 abr (EFE).- Os sequestradores das duas voluntárias capturadas na região sudanesa de Darfur no último dia 4 pedem, em troca da libertação destas, que sejam julgados no Sudão os responsáveis da ONG Arca de Zoé, informou hoje o jornal local Al Sahafa.

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Segundo a publicação, uma pessoa não identificada ligou para a redação do jornal e disse falar em nome dos sequestradores das voluntárias, uma francesa e uma canadense da ONG Ajuda Médica Internacional (AMI).

Em 2007, a ONG Arca de Zoé foi acusada de tentar sequestrar mais de 100 crianças de Darfur, supostamente órfãs, para que fossem adotadas por famílias francesas.

Seis dos responsáveis pela organização foram julgados e sentenciados no Chade, de onde as crianças partiriam rumo à Europa, mas depois receberam permissão para cumprirem pena na França.

As crianças - que não eram órfãs - foram posteriormente devolvidas a suas famílias em Darfur com a mediação do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef, em inglês) e de outras organizações internacionais.

O porta-voz dos sequestradores das voluntárias, os quais se intitulam "Falcões Livres da África", disse que o grupo as sequestrou por causa da nacionalidade delas - embora uma seja canadense - e acusou a França e o Chade pela tentativa de rapto das crianças.

Segundo o sequestrador, "o sangue destas crianças vale mais que qualquer sangue europeu".

Além disso, ameaçou atacar interesses franceses na República Centro-Africana e no Chade e negou categoricamente que seu grupo tenha pedido um resgate de US$ 200 milhões.

Segundo o jornal, uma das reféns teve permissão para falar ao telefone e disse que ela e sua colega estão em bom estado de saúde e que os sequestradores as tratam bem.

Os criminosos rejeitaram a ingerência do Governo sudanês e pediram para negociar a libertação das reféns diretamente com a ONG à qual pertencem.

O chefe de protocolo do Ministério de Assuntos Exteriores sudanês, Ali Youssef, disse hoje que o Governo do país está em contato com a embaixada francesa em Cartum tratando deste assunto.

EFE aa-aj-jrg/bba

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