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Seqüestrador de Betancourt diz sentir remorso em carta a Sarkozy

Um dos seqüestradores de Ingrid Betancourt, refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), enviou uma carta ao presidente francês, Nicolas Sarkozy, em que expressa remorso por ter participado da operação de captura, há mais de seis anos, da ex-senadora franco-colombiana.

BBC Brasil |

Nolberto Uni Vega, um dos seqüestradores de Betancourt, está preso em Combita, no norte da Colômbia. Ele deixou as Farc em 2003 e cumpre pena de 34 anos de prisão.

Na terça-feira, Vega conversou com jornalistas no presídio e anunciou ter escrito uma carta ao presidente Sarkozy.

Um dos jornalistas recebeu a carta, com a missão de levá-la para a mãe de Betancourt, Yolanda Pulecio, que deve entregá-la ao presidente francês.

Até o momento, o secretariado do Palácio do Eliseu, sede da presidência, e a célula diplomática do governo responsável pelo dossiê Betancourt disseram à BBC Brasil "não ter nenhum conhecimento sobre a existência dessa carta".

Provavelmente, pelo curto período de tempo, o documento ainda não teria chegado à França.

"Admiração"

"Tenho muita admiração por Ingrid Betancourt", disse Vega aos jornalistas. "Sua família, seus filhos, seu marido, muitas pessoas estão sofrendo."

O ex-guerrilheiro declarou que o seqüestro de Betancourt não foi planejado pelo alto comando das Farc. Segundo Vega, a ex-candidata à presidência da Colômbia foi parada, no dia 23 de fevereiro de 2002, em uma barreira em uma estrada do país.

"Tínhamos ordem de parar qualquer personalidade política com projeção nacional", afirmou Vega.

De acordo com o seqüestrador, Ingrid Betancourt, que estava em campanha para as eleições presidenciais, teria pensado inicialmente que se tratava de uma barreira do Exército colombiano na estrada.

Medo

Ingrid Betancourt teria ficado com medo ao constatar que os homens, vestidos com uniformes, eram, na realidade, guerrilheiros das Farc.

"Seu rosto mudou de cor", disse Vega, que contou ter passado um dia na companhia de Betancourt antes que ela ficasse sob a guarda de outros guerrilheiros.

A irmã de Ingrid, Astrid Betancourt, se recusou a comentar o "remorso" expressado pelo seqüestrador.

No início de abril, a França enviou uma missão humanitária à Colômbia para tentar entrar em contato com Ingrid Betancourt, que estaria com problemas de saúde.

Mas as Farc se recusaram a permitir o encontro e, após vários dias de espera em Bogotá, o avião retornou à França.

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