Oviedo (Espanha), 15 abr (EFE).- Os cientistas espanhóis Carlos López-Otín e Elías Campo advertiram hoje que a identificação das primeiras mutações genéticas do câncer não supõem a cura da doença, apesar de representarem um passo conceitual importantíssimo para seguir avançando em seu tratamento.

As afirmações foram feitas em uma entrevista coletiva na Universidade de Oviedo, no norte da Espanha, quando os cientistas apresentaram um artigo publicado no último número da revista Nature e assinado por 200 pesquisadores sobre os avanços conseguidos pelo Consórcio Internacional do Genoma do Câncer (ICGC, na sigla em inglês).

López-Otín, da Universidade de Oviedo, e Campo, do Hospital Clinic de Barcelona, fazem parte do grupo de pesquisadores espanhóis que integram o ICGC, criado em 2008 com o objetivo de conhecer os 50 tipos de alterações genéticas do câncer.

Os pesquisadores espanhóis conseguiram sequenciar e analisar com sucesso os primeiros cinco genomas completos de cinco pacientes com leucemia linfática crônica na Espanha, um dos tumores mais frequentes no mundo ocidental, o que permitirá em um futuro próximo desenvolver novas estratégias diagnósticas e novos remédios para combater este tipo de câncer.

López-Otín destacou que, apesar dos avanços conseguidos nesta pesquisa, "um bom cientista não deve criar falsas expectativas nunca", e afirmou que os resultados alcançados no projeto Genoma "satisfizeram totalmente os pesquisadores".

"Este projeto não representa a cura do câncer, mas sim significa que podemos colocar à disposição dos especialistas quais são as alterações moleculares causadoras da doença em um paciente concretamente", explicou López-Otín.

O pesquisador da Universidade de Oviedo acrescentou que se trata de um "avanço conceptual extraordinário e impensável há pouco tempo".

Na sua opinião as expectativas deste projeto devem ser direcionadas a facilitar a informação, e afirmou que pessoalmente está convencido de que isso vai ser realizado.

"Não prometamos coisas que não podemos cumprir e ignoramos os que fazem isso", concluiu.

Por sua vez, Campo disse que o tratamento individualizado ainda demorará a chegar. Ele explicou que o que se está buscando são alterações genéticas que provocam o câncer, e estás podem ser muito heterogêneas.

"Quando falamos de medicina personalizada temos que estratificar os riscos", afirmou Campo, que considera que ainda vai demorar para os pesquisadores conseguirem "desenhar remédios e drogas específicos para situações concretas" porque isso implica estudos funcionais.

O pesquisador catalão reconheceu que muitas vezes na medicina se tende a buscar respostas "simplistas" porque "se precisam dessas respostas", e advertiu que certos avanços requerem respostas complexas, embora também afirme que as expectativas em relação a essa pesquisa "não são infundadas".

A contribuição espanhola ao consórcio é financiada pelo Ministério de Ciência e Inovação, através do Instituto de Saúde Carlos III.

Desde o começo do projeto, há menos de um ano, se obtiveram mostras de 50 pacientes e até o momento cinco genomas completos foram decifrados. EFE lm/pb

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