Senso de justiça é mais emocional que racional, dizem neurologistas

O senso de justiça é mais emocional do que racional, como mostram os trabalhos de neurologistas americanos divulgados nesta quinta-feira, que permitiram localizar as diferentes zonas do cérebro ativadas quando se trata de escolher entre justiça e eficácia.

AFP |

O estudo, publicado na revista americana "Science" de 9 de maio, dá um esclarecimento sobre a atividade dos circuitos neurológicos que apóiam essas decisões, explica Ming Hsu, da Universidade de Illinois (norte), co-autor do trabalho.

Os pesquisadores usaram ressonância magnética funcional (IRMf) para observar, em tempo real, o funcionamento do cérebro dos voluntários. Estes últimos se encontravam na situação virtual de entregar, com um caminhão, 100 quilos de comida a órfãos de um país periférico, devastado pela fome.

O tempo necessário de rota para levar comida a todas as crianças significaria a perda de 20 quilos da carga. Em contrapartida, nesse cenário, a distribuição de comida para metade do grupo causaria a perda de apenas 5 kg, uma abordagem mais eficaz.

A escolha era saber se era melhor entregar comida para menos crianças e limitar a perda de mercadorias, ou aceitar perder um quinto dos alimentos para garantir uma distribuição mais justa a todos os órfãos.

A análise dos dados da IRM mostrou que três regiões do cérebro eram ativadas de maneira diferente e também em momentos diferentes no processo decisório.

A ínsula, zona do cérebro muito ligada às emoções, como a raiva, o medo, ou a felicidade, era mais ativada quando a eqüidade prevalecia, enquanto que o putâmen, outra região cerebral, ficava mais ativa quando o voluntário privilegiava a eficácia.

Enfim, o "núcleo caudato" parecia integrar, ao mesmo tempo, a noção de eficácia e justiça, uma vez que a decisão tivesse sido tomada.

A ativação da ínsula parece fortalecer a idéia de que a emoção desempenha um papel na atitude de uma pessoa em relação à injustiça, destaca Ming Hsu.

Os cientistas também observaram que a importância dada à justiça variou muito mais em cada voluntário do que aquela dada à eficácia. Eles concluíram, então, que "nossos julgamentos em relação à justiça são mais guiados por nossas emoções do que por nossa razão".

"Os resultados desses trabalhos mostram como o cérebro leva em consideração duas escolhas essenciais em matéria de justiça e de eficácia, ilustrando o dilema entre o racional e o sentimental", escrevem os autores do estudo.

js/tt

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG