Departamento de Defesa americano é consciente de que "uma boa parte" dos US$ 2,16 bilhões em contratos para o transporte terrestre de produtos para as tropas americanas no Afeganistão acaba nas mãos dos 'senhores da guerra'

Dezenas de milhões de dólares procedentes dos cofres dos Estados Unidos chegam às mãos dos 'senhores da guerra' no Afeganistão, como rebeldes e altos funcionários públicos corruptos, devido à extorsão, segundo um relatório de uma subcomissão da Câmara dos Representantes.

O relatório, que foi publicado ontem à noite e que será discutido hoje na subcomissão de segurança nacional, afirma que o Departamento de Defesa americano é consciente de que "uma boa parte" dos US$ 2,16 bilhões em contratos para o transporte terrestre de produtos para as tropas americanas no Afeganistão acaba nas mãos dos 'senhores da guerra'.

Com o título "Senhores da Guerra S.A. - extorsão e corrupção na cadeia de abastecimento dos EUA no Afeganistão", o documento lembra que a secretária de Estado americano, Hillary Clinton, declarou em dezembro passado no Congresso que "uma das principais fontes de financiamento para os talibãs é a extorsão".

Uma das maiores empresas afegãs de segurança, a Watan Risk Management, é comandada por dois primos do presidente afegão, Hamid Karzai.

Eles, por sua vez, contratam o "comandante Ruhulah", considerado pelo relatório como membro típico da "nova classe de senhores da guerra".

Ruhalah, cujos milicianos acompanham os comboios de caminhões que percorrem o trajeto entre Cabul e Kandahar, reconheceu que gastou US$ 1,5 milhão ao mês em munição e em subornos a governadores, chefes de Polícia e generais do Exército.

O relatório descarta que o próprio Exército nacional afegão esteja em condições de proteger os comboios, pelo menos no médio prazo, devido à corrupção que o afeta e sua falta de capacidade e eficácia.

Os investigadores da comissão de segurança nacional recomendam que as Forças Armadas dos EUA se envolvam diretamente na contratação das empresas de segurança que protegem os comboios.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.