Senegal inaugura monumento em homenagem aos 50 anos de independência

Dacar, 3 abr (EFE).- O presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, inaugurou hoje o monumento ao Renascimento Africano em uma cerimônia com a presença de duas dezenas de líderes africanos e dezenas de delegações e personalidades estrangeiras, além do rapper Akom.

EFE |

As principais irmandades muçulmanas do país estiveram representadas no ato, com o que mostraram uma postura contrária à adotada por círculos islâmicos, que denunciam o monumento, uma estátua de bronze de 50 metros de altura em um das colinas que domina Dacar, como uma obra contrária aos preceitos do islã.

Milhares de crianças vestidas com trajes amarelos e azuis, símbolo do governante Partido Democrático Senegalês (PDS), participara do ato da mesma forma que o famoso rapper americano de origem senegalesa, Alioune Thiam "Akom", que anunciou que rodará seu próximo vídeoclipe no monumento para promovê-lo.

Em seu discurso, o presidente senegalês lembrou os sofrimentos acumulados no continente ao longo de cinco séculos de escravidão e de colonização, feridas que o monumento pretende lembrar sem intenção alguma de revanche, mas baseado na ideia de "perdoar sem esquecer".

Wade advogou em seu discurso pela realização dos Estados Unidos da África para fazer possível que este continente chegue a ocupar o papel que lhe corresponde no mundo.

O governante de Malauí, Bingu wa Mutharika, presidente rotativo da União Africana (UA), disse por sua vez que o monumento não pertence ao Senegal nem a África Ocidental, mas a toda África e, além disso, a todos os negros da diáspora.

O representante da Unesco, Alioune Traoré, disse que o monumento pertence a toda a humanidade, por isso apontou que poderia ser classificado como patrimônio mundial.

Segundo o arquiteto Pierre Goudiabi, foram precisos 22 mil toneladas de bronze para levantar a obra, que custou dois milhões de horas de trabalho à equipe de especialistas norte-coreanos que a realizou.

Milhares de seguidores da coalizão opositora Benno Sigil Senegal se manifestaram hoje pacificamente para protestar pelo que consideram um "monumento da vergonha" e uma "fraude monumental", em alusão a seu custo, 23 milhões de euros procedentes de uma transação duvidosa entre o Estado e um empresário próximo ao PDS.

À manifestação também contou com grupos islâmicos, que consideram a obra, que representa a um homem com uma criança no braço esquerdo e, a seu lado, uma mulher, os três seminus, vai contra a norma islâmica que proíbe representar a figura humana para evitar fazê-la objeto de adoração. EFE st/pb

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