Senador dos EUA quer Brasil em negociação com as Farc

WASHINGTON (Reuters) - Um influente senador norte-americano sugeriu ao governo colombiano que envolva o Brasil em possíveis negociações com a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), segundo carta divulgada na quinta-feira. Na carta, datada de terça-feira, o senador Richard Lugar, líder republicano na Comissão de Relações Exteriores do Senado, diz que a operação que libertou a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt e outros 14 reféns marca um ponto de inflexão no conflito armado de várias décadas.

Reuters |

Ele felicitou o governo de Álvaro Uribe por aceitar uma negociação direta com a guerrilha visando à libertação de mais reféns, e listou sugestões para levar adiante um processo de paz.

'Com as Farc controladas por enquanto, eu o estimulo a pressionar [a guerrilha] para seu desarmamento e a renunciar ao narcotráfico e à extorsão em troca de um posto na mesa de negociação', disse Lugar.

Ele sugeriu que a segunda maior guerrilha do país, o Exército de Libertação Nacional (ELN), também seja incluída em futuras negociações, e termina citando o Brasil como um país adequado para ajudar.

'Eu o estimularia a considerar o Brasil, um país com tradição de fazer pontes entre divisões ideológicas e de mostrar conhecimento sobre as sensibilidades regionais, como um possível mediador para qualquer discussão', afirmou.

Na opinião do senador, a ação militar que levou à recente libertação dos reféns mostra que o dinheiro dado aos EUA para a paz na região pode ser empregado 'de maneira construtiva'.

A Colômbia, principal aliada dos EUA na América do Sul, recebe mais de meio bilhão de dólares por ano sob o chamado 'Plano Colômbia', voltado para o combate à guerrilha e ao narcotráfico.

Um assessor parlamentar disse que o Brasil poderia aceitar a tarefa de mediação, entre outros motivos, porque sua própria segurança pode acabar sendo afetada pelo conflito colombiano.

'O Brasil tem a confiança dos atores envolvidos no conflito, e o Brasil tem o interesse de desempenhar um papel mais amplo na região,' disse o assessor, pedindo anonimato.

(Reportagem de Adriana Garcia)

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG