O senador democrata Jim Webb anunciou nesta quinta-feira que vai se reunir esta semana com o número um da Junta Militar de Mianmar, generalíssimo Than Shwe, na primeira entrevista de alto nível entre um responsável americano e o homem forte do regime birmanês, contra o qual a União Europeia anunciou novas sanções.

O anúncio acontece logo após a nova condenação contra a líder opositora birmanesa Aung San Suu Kyi e do cidadão americano John Yettaw, por um tribunal de Mianmar.

O gabinete de Webb informou que esta semana o senador deve se encontrar com os máximos dirigentes do governo birmanês, entre eles o generalíssimo Than Shwe.

"Se ocorrer o encontro, será a primeira vez que um alto responsável americano conversa com o máximo dirigente de Mianmar", destaca o site de Webb nesta quinta-feira.

Webb, que chegou nesta quinta ao Laos para iniciar um giro de duas semanas pelo sudeste asiático, poderá viajar à Mianmar neste final de semana.

A União Europeia (UE), por sua vez, também adotou nesta quinta-feira novas sanções contra o regime birmanês para protestar contra a condenação a 18 meses adicionais de prisão domiciliar para Aung San Suyu Kyi.

"Os magistrados responsáveis pelo veredicto se somam à lista atual de pessoas e entidades que são objeto de uma proibição de viajar e de um congelamento de bens", afirma um comunicado.

"Além disso, a lista de pessoas e entidades que são objeto de medidas restritivas aumentará para estender o congelamento de bens às empresas de propriedade e controladas por membros do governo, assim como às entidades associadas", completa a declaração.

A lista será publicada no diário oficial europeu.

A possibilidade de novas sanções foi anunciada na terça-feira pela presidência semestral sueca do bloco para protestar contra a nova condenação de Mianmar, que tem como objetivo evitar a participação da líder opositora nas próximas eleições.

A UE reclama a libertação imediata e sem condições de Suu Kyi.

Suu Kyi, que retomou sua vida espartana em sua casa simples, onde cumpre uma prisão domiciliar, anunciou por meio dos advogados que vai apelar da condenação anunciada na terça-feira.

O veredicto de 18 meses adicionais de prisão domiciliar contra a Prêmio Nobel da Paz de 1991, anunciado terça-feira por um tribunal especial de Yangun, segue provocando críticas em todo o mundo, mas em Nova York os 15 países membros do Conselho de Segurança da ONU não chegaram a um acordo sobre uma declaração conjunta.

A China, principal aliada de Mianmar, pediu à comunidade internacional que respeite a soberanía da justiça birmanesa.

Aung San Suu Kyi, 64 anos, que passou 14 dos últimos 20 anos em prisão domiliciar, foi condenada a três anos de prisão e trabalhos forçados por um tribunal reunido na prisão de Insein, ao norte de Yangun. Mas o chefe da junta militar que governa o país, general Than Shwe, comutou a pena a 18 meses de prisão domiciliar.

Já o americano John Yettaw, o mormón de 54 anos que em maio de 2008 chegou a nado a sua casa, situada na margem de um lago, condenado a sete anos de prisão e trabalhos forçados, também anunciou a intenção de apelar.

burs-dk/cn

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.