Senador diz que refugiados bolivianos devem continuar no Brasil

La Paz, 24 nov (EFE) - Os bolivianos que fugiram para o Brasil após o conflito violento de Pando, norte da Bolívia, não retornarão ao país, apesar da suspensão do estado de sítio nesse departamento, porque sua segurança não está garantida, afirmou hoje o senador opositor Roger Pinto. Em entrevista à Agência Efe, o senador por Cobija, capital de Pando, do bloco opositor Poder Democrático e Social (Podemos) disse que, apesar de ter sido suspenso o estado de sítio, os cidadãos continuam sendo perseguidos. O Governo da Bolívia levantou neste domingo o estado de sítio na região amazônica, apesar de ter aumentado a presença de soldados militares e policiais para dar plenas garantias de segurança à cidadania. Pinto denunciou que, em Brasiléia (AC), há mais de mil bolivianos que fugiram após os violentos confrontos de setembro que não pensam em voltar por medo. Segundo o senador opositor, os refugiados que vivem graças à solidariedade dos cidadãos brasileiros só retornarão se o Governo lhes der garantias de que podem fazê-lo sem perseguições e retaliações. Eles têm medo. Muitos pediram asilo ao Brasil por medo de sofrer uma detenção injustificada.

EFE |

Alguns inclusive tiveram suas casas destruídas", destacou Pinto, que pediu ao Executivo boliviano para dar uma "resposta ao país e ao mundo" neste sentido.

Em entrevista à rádio "Patria Nueva", o cônsul da Bolívia em Brasiléia, Luis Méndez, estimou hoje entre 200 e 250 as pessoas deslocadas, apesar de ter ressaltado que é difícil determinar este número pelas facilidades que os cidadãos têm para entrar e sair do país.

Para o deputado do governista Movimento Ao Socialismo (MAS) Jorge Silva, com a retirada do estado de sítio, os refugiados em Brasiléia "deveriam voltar a suas atividades cotidianas".

Silva insistiu em que já não existem restrições na região, mas reconheceu, em entrevista à televisão "ATB", que entende que haverá pessoas que ficarão no Brasil voluntariamente e outras que voltarão a Cobija.

O Governo de Evo Morales decretou o estado de sítio na região de Pando em meados de setembro, para encerrar uma onda de violência que causou a morte de cerca de 20 pessoas, a maioria camponeses seguidores do líder.

Segundo o deputado, dezenas de pessoas foram detidas nos últimos dois meses na cidade de La Paz, das quais 16 retornaram a Pando.

Os demais que continuam detidos serão colocados "a consideração do juiz competente para que lhes atribuam as medidas cautelares", indicou.

Pinto denunciou que estas pessoas estão detidas desde sexta-feira "como delinqüentes" e sem conhecer os motivos de sua reclusão, e acusou o Governo de "semear o medo" com este tipo de medidas. EFE lav/db

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