Senador americano acusa Casa Branca de esconder documentos sobre CIA

Washington, 15 out (EFE) - O presidente da Comissão de Inteligência do Senado, John Rockefeller, acusou hoje a Casa Branca de ocultar documentos nos quais teria autorizado a CIA (agência central de inteligência americana) a usar métodos de tortura nos interrogatórios de supostos terroristas.

EFE |

O senador democrata fez referência à reportagem do "The Washington Post" que, citando como fontes ex-funcionários de inteligência, afirmou que a CIA pediu e obteve em 2003 e 2004 documentos da Casa Branca sobre o uso de "métodos de interrogatório" em supostos membros de Al Qaeda.

Entre esses métodos estava o "submarino" ou asfixia simulada, durante o qual o detido, amarrado de cabeça para cima, tem uma toalha introduzida na boca ou tem o rosto coberto com plástico e posteriormente os agentes deixavam cair água em seu nariz.

A Casa Branca ainda não confirmou a informação, mas, segundo disse Rockefeller em comunicado, se os documentos existem, "foram mantidos fora do conhecimento do comitê" que preside.

Se for confirmado, ele considerou que seria "o último exemplo que a Administração Bush escondeu informação crítica ao Congresso e à população, em uma tentativa de limitar nossa visão das atividades dos serviços de inteligência".

Rockefeller disse que, como presidente do Comitê de Inteligência, o qual já está investigando a legalidade dos interrogatórios da CIA, não vai "permitir que a Administração Bush impeça uma investigação que dê uma explicação plena dos fatos".

O senador republicano Kit Bond, que também faz parte do comitê, afirmou que a informação do jornal não é nova e que espera que seus companheiros democratas "resistam à tentação de politizar este assunto".

Segundo a reportagem, publicada hoje, os advogados do Departamento de Justiça americano já tinham aprovado desde 2002 os métodos de interrogatório da CIA, mas alguns altos comandantes pediram que a Casa Branca desse a última palavra.

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, que era nessa época conselheira de Segurança Nacional de Bush, confirmou em setembro a investigadores do Congresso que o então diretor da CIA, George Tenet, tinha pedido por escrito "uma aprovação de políticas" à Casa Branca.

A preocupação dos funcionários da CIA aumentou depois das polêmicas imagens da prisão iraquiana de Abu Ghraib que mostravam alguns militares americanos cometendo abusos contra os prisioneiros.

O "Washington Post" afirmou que a única declaração feita pela Casa Branca a respeito é que não há nada a dizer enquanto os documentos forem confidenciais. EFE elv/db

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