Senado francês aprova lei sobre genocídio armênio

Lei que torna crime a negação de que extermínio de armênios na Primeira Guerra foi genocídio deve aumentar tensões com Turquia

iG São Paulo |

O Senado francês aprovou nesta segunda-feira uma lei que torna crime a negação de que o extermínio cometido por turco-otomanos contra armênios durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) foi um genocídio.

Saiba mais: Em resposta à lei sobre genocídio, Turquia suspende relações com a França

Reuters
Manifestantes de origem turca protestam contra lei em frente ao prédio do Senado francês

A Turquia, que vê as qualificações de genocídio como uma amaça à sua honra nacional, suspendeu os laços políticos, militares e econômicos com a França e retirou por um breve momento seu embaixador do país no mês passado, quando a Câmara do Parlamento aprovou a mesma lei.

Antes do voto do Senado - que concordou com a lei por 127 votos contra 86 - a Turquia ameaçou tomar mais medidas, caso a lei fosse aprovada. A medida agora precisa apenas ser assinada pelo presidente Nicolas Sarkozy, cujo partido foi quem propôs a lei.

O debate sobre a medida ocorre em meio à proximidade das eleições presidenciais na França , e críticos qualificam a lei como uma manobra puramente eleitoreira para que Sarkozy, que tentará a reeleição, conquiste os votos dos cerca de 500 mil armênios que vivem na França.

Saiba mais: Futuro econômico da França atrapalha ano eleitoral

Valerie Boyer, a senadora do partido conservador que elaborou a lei, não negou essa intenção, dizendo que os políticos aprovam leis que agradam seus eleitores. "Isso é democracia", acrescentou.

Mas esse interesse doméstico pode ter consequências internacionais. As relações da França com a Turquia já estão prejudicadas, em grande parte porque Sarkozy se opõe à entrada do país na União Europeia. A lei certamente vai desgastar ainda mais as relações da França com a Turquia, país membro da Otan que tem um papel cada vez mais importante em questões que pairam na comunidade internacional, entre elas a violência na Síria, o impasse do programa nuclear do Irã e as negociações de paz no Oriente Médio.

"É nula e sem efeito para nós", disse o ministro da Justiça turco Sadullah Ergin logo depois da aprovação da lei no Senado. "É uma grande desgraça e uma injustiça contra a Turquia. Eu quero dizer para a França que ela não tem nenhum valor para nós. Não nos importamos."

Enquanto a maioria dos historiadores afirmam que o assasasinato de 1,5 milhão de armênios entre 1915 e 1917 pelo Império Otomano corresponde ao primeiro genocídio do século 20, a Turquia nega essa questão, e diz que o número de mortos foi muito menor.

Com AP

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