Senado dos EUA deve aprovar Sotomayor para Corte Suprema

Por Thomas Ferraro WASHINGTON (Reuters) - O Senado dos EUA se encaminha na terça-feira para aprovar a nomeação de Sonia Sotomayor para a Corte Suprema, embora ela dê poucas pistas de como se comportará como juíza do principal tribunal do país. Se aprovada, ela será primeira pessoa de origem hispânica a ocupar o cargo.

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Há casos de juristas liberais que se tornaram mais conservadores na Suprema Corte, e vice-versa - ao menos em algumas questões importantes, como aborto, direitos dos homossexuais e direitos civis.

Sotomayor é a primeira indicação do presidente Barack Obama para a Corte Suprema. A votação está prevista para até quinta-feira.

O senador democrata Patrick Leahy, que apoia a nomeação, disse à Reuters que "não há como dizer" que tipo de juíza ela será. "Os juizes podem mudar ao longo das suas nomeações pela vida afora," disse ele.

Num caso clássico, Earl Warren, nomeado em 1953 pelo presidente republicano Dwight Eisenhower, se tornou um paladino das causas liberais. "Foi o erro mais idiota que eu já cometi", dizia Eisenhower sobre a indicação.

John Kennedy nunca manifestou tal arrependimento, ao menos em público, mas muitos seguidores do presidente se queixavam de que Byron White, indicado em 1962, era bem menos liberal do que se esperava.

Mais recentemente, David Souter, a quem Sotomayor substituiu, era visto como um conservador ao ser indicado por George Bush pai em 1990. Acabou se tornando um frequente fiel da balança em favor da ala liberal.

Sotomayor, 55 anos, é considerada por seus simpatizantes como uma moderada, que atua estritamente sob a lei. Os críticos a veem como uma liberal que permite que sentimento pessoais interfiram em seus julgamentos.

O senador republicano Lindsey Graham, inicialmente crítico, anunciou em julho que irá votar pela confirmação, mas também manifestou dúvida. "Acho que a juíza Sotomayor não será mais liberal do que ele (Souter) e, em algumas questões, sendo bem franco, pode ser mais equilibrada. O tempo dirá."

Harry Blackmun, indicado em 1970 por Richard Nixon, foi outro juiz que surpreendeu ao assumir posições liberais - inclusive como redator da sentença de 1973 que legalizou o aborto, para desgosto dos republicanos até hoje. Blackmun também abandonou na Suprema Corte o apoio à pena de morte.

"Suponho que Nixon tenha lamentado a escolha", disse Jamal Greene, professor da Escola de Direito de Columbia e ex-assessor do juiz da Suprema Corte John Paul Stevens.

(Reportagem de Thomas Ferraro)

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