Senado dos EUA aprova tratado de redução de armas com Rússia

Ratificação de acordo é considerada uma vitória diplomática e política do presidente Barack Obama

iG São Paulo |

O Senado norte-americano aprovou por 71 votos contra 26 o novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas (em inglês, START), superando a maioria de dois terços necessária para aprová-lo. Após serem cortejados de forma implacável por Obama, pelo vice-presidente Joe Biden e por altos comandantes militares dos EUA, um pelotão de republicanos apoiou o tratado, contrariando líderes ansiosos por dar ao presidente uma grande derrota.

"Estou confiante de que a segurança da nossa nação, e também do mundo, será reforçada através da ratificação deste tratado", afirmou o presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado, John Kerry, que, com o líder dos Republicanos no Comitê, o senador Richard Lugar, conduziu o acordo através de um debate difícil e até mesmo amargo.  Nesta quarta, o senador repetiu os argumentos da Casa Branca de que o pacto ajudará nos esforços para enfrentar o Irã e a Coreia do Norte. O acordo "não é simplesmente para enfrentar os perigos remanescentes da era nuclear. É um acordo que nos dará uma ferramenta crucial para combater as ameaças de uma nova era nuclear", afirmou momentos antes da votação.

Após a aprovação, em entrevista coletiva, o presidente Barack Obama disse que se trata "do acordo de controle de armas mais significativo em quase duas décadas". Segundo ele, o pacto tornará os EUA mais seguros e reduzirá os arsenais nucleares dos dois países ao mesmo tempo.

"Alegro-me que democratas e republicanos tenham se unido para aprovar minha principal prioridade sobre segurança nacional neste período do Congresso", disse. "A forte votação bipartidária no Senado envia uma potente mensagem ao mundo, de que republicanos e democratas se unem em defesa da nossa segurança", acrescentou o presidente.

Redução de arsenais

O Start reduz os arsenais dos Estados Unidos e da Rússia para 1,5 mil ogivas nucleares, um corte de cerca de 30% do limite de oito anos atrás. O pacto também limita a 700 o número de mísseis e de aviões de bombardeio nuclear que podem ser acionados. Além disso, estabelece um novo mecanismo para o envio de inspetores a instalações nucleares em outros países. Desde que o tratado Start anterior expirou, em dezembro de 2009, Rússia e Estados Unidos não estão conseguindo conduzir inspeções em seus respectivos arsenais nucleares – trazendo incertezas sobre o que cada lado está fazendo.

Antes de aprovar o tratado, os parlamentares fizeram emendas não vinculativas na resolução do documento de ratificação técnica para comprometer Washington a implantar um sistema de defesa antimísseis, modernizar seu arsenal nuclear e buscar novas negociações com a Rússia para a contenção de armas nucleares táticas.

Rússia ainda deve aprovar tratado

O tratado, assinado em abril por Obama e pelo presidente russo, Dmitry Medvedev, espera agora aprovação pelo Parlamento em Moscou, o que deve ocorrer no ano que vem. O governo russo já havia publicamente criticado a possibilidade de que o texto do acordo, resultado de uma delicada negociação, fosse mudado pelos senadores em Washington.

Na segunda-feira, o chanceler russo, o ministro do Exterior russo, Sergei Lavrov, indicou que Moscou não aceitaria quaisquer alterações e que, caso elas fossem adotadas, isso significaria que o fim do tratado.

* Com informações da BBC, AFP e EFE

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