Senado dos EUA aprova sanções contra Banco Central do Irã

Medida objetiva dissuadir bancos estrangeiros de fazer transações com Teerã, ao ameaçar cortá-los do sistema financeiro americano

iG São Paulo |

O Senado dos EUA aprovou por unanimidade na quinta-feira à noite sanções mais duras contra Teerã, penalizando instituições financeiras estrangeiras que fizerem negócios com o Banco Central do Irã, principal receptor das receitas do país com a venda de petróleo. A nova medida é tomada em meio aos temores de que o país persa esteja desenvolvendo armas nucleares.

AP
Homens retiram caixas do que seria a residência de diplomatas iranianos em Londres. Reino Unido expulsou a delegação do país após ataque à sua embaixada em Teerã
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O Senado tomou a decisão apesar de autoridades do governo dos EUA terem alertado que a ameaça a aliados americanos não seria a melhor maneira de obter sua cooperação em medidas contra o Irã. Os EUA já proíbem suas instituições financeiras de negociar com essa entidade iraniana. Portanto, as novas sanções têm como objetivo dissuadir bancos estrangeiros, ao ameaçar cortá-los do sistema financeiro americano.

Como pena para transações com o Banco Central do Irã que envolvam a venda ou compra de petróleo ou produtos relacionados, as empresas estrangeiras serão proibidas de abrir ou manter operações correspondentes nos EUA.

Altos funcionários do governo do presidente Barack Obama disseram analisar sanções contra o banco central iraniano, mas de um modo comedido, para evitar prejudicar o mercado petrolífero ou contrariar aliados. Na votação de quinta-feira, os senadores argumentaram que as preocupações sobre um Irã armado nuclearmente são mais importantes do que os temores de aumentar os preços do petróleo ou de prejudicar os americanos no posto de gasolina. Funcionários do governo alertaram que estimular o aumento de preços do petróleo representaria mais dinheiro para Teerã.

As novas restrições foram aprovadas como parte de uma emenda de um enorme Orçamento de Defesa aprovado na noite de quinta-feira. Medidas semelhantes foram endossadas por um comitê da Câmara dos Deputados, aumentando a probabilidade de que a proposta seja enviada a Obama para sanção ou veto.

Sanções da União Europeia

A decisão do Senado americano foi tomada no mesmo dia em que os países da UE concordaram em impor sanções contra 180 indivíduos e empresas do Irã . De acordo com diplomatas, as empresas terão seus ativos na Europa congelados, enquanto os indivíduos serão proibidos de entrar nos países do bloco, além do congelamento de bens.

No dia 21, Washington anunciou novas sanções contra os setores de energia e pertroquímico do Irã que punirão qualquer um que ajudar a República Islâmica a desenvolver e expandir seus recursos petrolíferos, enquanto o Canadá proibiu quase todas as transações financeiras com o governo iraniano e o Reino Unido cortou todos os laços financeiros com bancos iranianos .

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As punições fazem parte de uma nova mobilização da comunidade internacional após um relatório da Agência Internacional de Energia Atômica apontar que Teerã tem objetivos militares , e não civis, com seu programa nuclear do Irã.

Em retaliação à determinação britânica, que também inclui o Banco Central do Irã, manifestantes linha dura atacaram a Embaixada do Reino Unido em Londres na terça-feira, dois dias depois de o Parlamento iraniano aprovar um projeto de lei que reduz as relações com o país europeu .

Em resposta à invasão à sua missão diplomática, Londres anunciou a expulsão da delegação diplomática do Irã do Reino Unido e o fechamento da embaixada iraniana no país. Em solidariedade ao Reino Unido, governos de Alemanha, França, Holanda e itália convocaram seus embaixadores no Irã para consultas.

Além disso, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, determinou o fechamento de sua missão no Irã e a saída de todos seus diplomatas. Londres responsabiliza o governo iraniano pelos ataques contra a embaixada, ao não garantir a segurança de sua missão diplomática.

De acordo com o chanceler William Hague, o incidente representou "uma violação" do direito internacional e da Convenção de Viena, que obriga os governos a garantir a segurança das embaixadas estrangeiras em seu território.

*Com Reuters, AP e EFE

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