O Senado argentino debatia na madrugada desta quinta-feira o projeto de lei do governo de Cristina Kirchner que impõe impostos progressivos sobre as exportações de grãos, medida rejeitada pela oposição e pelo movimento agrário.

Após a aprovação na Câmara dos Deputados por estreita margem, a nova lei dividia o Senado, onde o resultado seguia indefinido esta madrugada, após o voto de vários senadores.

O governo peronista tem a maioria no Senado, mas alguns governistas manifestaram sua intenção de votar contra a lei, dando margem a um virtual empate entre os 72 senadores.

A Praça do Congresso foi ocupada por centenas de jovens "kirchneristas", que batiam bumbo e exibiam as tradicionais bandeiras peronistas, para pressionar os senadores.

A concentração dos produtores rurais e da oposição ocorre no bairro de Palermo, a cerca de 4 km do Congresso.

Na terça-feira, milhares de pessoas participaram em Buenos Aires de manifestações pró e contra os impostos progressivos sobre as exportações de grãos.

A manifestação do governo reuniu cerca de 90 mil pessoas, diante do Congresso, e a oposição e o movimento agrário levaram quase 250 mil ao bairro de Palermo.

No ato governista, o ex-presidente Néstor Kirchner atacou duramente os grupos econômicos agrícolas e a oposição liberal por reagirem contra os impostos.

"Abraçamos os produtores argentinos, porque não são nossos inimigos, mas devemos ter cuidado com os 'pools' agrícolas, que querem enriquecer às custas do povo", disse Kirchner para a multidão, antes de garantir a permanência de Cristina na presidência, qualquer que seja a decisão do Senado.

Diante do Monumento aos Espanhóis, no bairro de Palermo, os líderes agrários e a oposição fizeram na terça um apelo pela consolidação de uma Argentina agroexportadora, na qual "sobrem alimentos para todos os argentinos".

O dirigente agrário Fernando Gioino pediu aos senadores que votem "olhando o bem comum" e garantiu que os "produtores da Argentina podem produzir o dobro, ou o triplo, se nos derem segurança e rentabilidade".

O líder dos pequenos e médios produtores, Eduardo Buzzi, insistiu na necessidade de garantir melhoras para o setor e criticou o Governo, por taxar a produção agrária, mas não os outros setores econômicos, como a atividade financeira, a mineração e a pesca.

jos/LR

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