Senado da Itália analisa lei para impedir eutanásia

O Senado italiano discute nesta segunda-feira um projeto de lei que pode proibir a suspensão da alimentação e da hidratação de pacientes que não podem se expressar, em meio à polêmica sobre o destino de Eluana Englaro. Eluana, de 38 anos, está há 17 anos em coma vegetativo e desde o sábado não está sendo alimentada, seguindo um desejo de sua família - que obteve autorização do Tribunal de Apelações de Milão A decisão contraria a posição do Vaticano e do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi.

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O texto está sendo analisado pela Comissão de Saúde do Senado e, caso seja aprovado na casa, deve ser enviado ainda nesta segunda-feira à Câmara dos Deputados.

Se aprovado na Câmara, o projeto se transforma em lei de Estado após a sanção do premiê.

A tentativa de aprovar o projeto de lei em tempo recorde foi a forma encontrada por Berlusconi para driblar o veto do presidente Giorgio Napolitano a um decreto-lei que proibiria os médicos de praticarem a eutanásia no caso de Eluana.

Napolitano rejeitou na sexta-feira o decreto de emergência assinado por Berlusconi. O presidente disse discordar de um procedimento de urgência, como o proposto pelo premiê, contra uma sentença já julgada - no caso, pelo tribunal de Milão.

Leia mais na BBC Brasil: Eutanásia provoca disputa no governo da Itália
Berlusconi tem ampla maioria no Parlamento, mas, tanto na base aliada como na oposição, existem congressistas contrários e favoráveis à lei.

Segundo um documento médico, a morte de Eluana poderá ocorrer após duas semanas do início da suspensão da alimentação e da hidratação. Pelas contas, a data limite para que o processo se torne reversível é a próxima quinta-feira.

Em entrevista ao jornal Corriere della Sera
, o neurologista da paciente Carlo Alberto Defanti, afirmou que "a primeira semana sem alimentação e hidratação não impõem maiores riscos para Eluana Englaro".

"O estado físico dela é ótimo. Fora a lesão cerebral, Eluana é uma mulher sã", disse Defanti.

Eluana está internada há sete dias na clínica geriátrica Le Quiete, em Udine, noroeste da Itália. Desde sábado ela recebe apenas anticonvulsivos e sedativos.

A Procuradoria Geral da República está investigando depoimentos de amigos e parentes de Eluana de que ela teria manifestado o desejo de morrer caso um dia se tornasse inválida.

Durante todo o fim de semana ocorreram manifestações contra e a favor ao direito de morrer em muitas cidades italianas, como Roma, Milão e Udine.

No domingo, o primeiro-ministro Silvio Berlusconi esteve em Mestre, cidade próxima a Udine. Ele não aceitou o convite do pai de Eluana, Beppino Englaro, para visitar a filha.

O pai de Eluana atacou o governo pela pressa de votar o projeto de lei do premiê. Ele lembrou que em 2004 enviou uma carta a Berlusconi pedindo uma legislação sobre o tema. O primeiro-ministro negou ter recebido a carta.

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