Senado chileno destitui ministra da educação

O senado do Chile destituiu a ministra da Educação do país, Yasna Provoste, responsabilizando-a por irregularidades no Ministério. Esta foi a primeira destituição ministerial por parlamentares desde o retorno da democracia, em 1990.

BBC Brasil |

Provoste, com 38 anos, perdeu o cargo na quarta-feira em uma votação com 20 votos a favor e 18 contra.

O apoio unânime dos 18 senadores do partido do governo, Concertación, não foi suficiente para fazer frente aos votos dos 16 parlamentares da oposição Alianza, aos quais se aliaram quatro legisladores independentes.

Provoste, que não poderá exercer cargo público por cinco anos, foi declarada culpada por não corrigir infrações ocorridas no Ministério - o pagamento irregular de subsídios escolares.

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, desembarcando no país nesta quarta-feira após uma visita à China, disse que fará o possível para que a deposição não se torne um "mau precedente" para o futuro do país.

Duro Golpe
A decisão do Senado representa um revés para a presidente chilena, que sempre defendeu sua ministra, negando as acusações de corrupção em seu governo.

A jovem Provoste, mulher com raízes indígenas, representava exatamente a nova imagem que Bachelet queria promover em seu governo de centro-esquerda.

Mas seu mandato vinha sendo marcado por controvérsia desde que assumiu o cargo, em 2006.

Semanas após tomar posse, enfrentou manifestações de centenas de milhares de estudantes que saíram às ruas para exigir mudanças no sistema de educação.

No início de 2007, enfrentou crise ainda mais grave com a entrada em funcionamento do Transantiago - um novo sistema público de transportes que provocou grande mal estar na capital chilena devido a uma série de falhas.

Nos últimos meses, a presidente chilena parecia estar superando as dificuldades e sua popularidade, que chegou ao ponto mais baixo em 2007, vinha subindo.

Mas a calmaria parece ter durado pouco. Além da histórica deposição de sua ministra, cresce a polêmica em torno da possível proibição da distribuição da pílula do dia seguinte pelo sistema público de saúde.

O Tribunal Constitucional do país deve decidir neste mês se a pílula - considerada abortiva por algumas facções - pode ser dada a adolescentes a partir dos 14 anos de idade.

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