Senado argentino continua sem definir situação dos impostos sobre grãos

Buenos Aires - A incógnita sobre o resultado da sessão do Senado argentino sobre o aumento dos impostos da exportação de grãos, que detonou a crise entre o governo e o campo há quatro meses, continua após mais de 15 horas de debate.

EFE |

Com a chegada da madrugada desta quinta-feira, os pronunciamentos dos senadores indicavam que existe um empate técnico entre governistas e opositores que, se for mantido, deverá ser dirimido pelo voto do vice-presidente do país, Julio Cobos, que é também o preside da Câmara Alta.

Apesar de em alguns momentos o majoritário setor oficial ter indicado que contava com o apoio dos 37 senadores (a metade mais um da Câmara) necessários para levar adiante a iniciativa, a indecisão e as mudanças de opinião de vários deles no último momento tornam impossível prever o resultado da votação.

A extensa discussão no plenário do Senado transcorreu em meio a estritas medidas de segurança e sem a presença no recinto de simpatizantes dos setores em disputa.

Durante a sessão, legisladores fizeram duras críticas contra o campo e o governo, lamentaram a situação de pobreza e atraso de várias províncias argentinas e argumentaram a favor e contra a reforma tributária.

Vários senadores do governante Partido Justicialista (PJ, peronista), como o ex-presidente Carlos Menem (1989-1999), justificaram seus votos contra a proposta oficial e expressaram seu desacordo com a política do Governo de Cristina Fernández de Kirchner.

Menem pediu que os legisladores somem esforços "para evitar que o país continue dividido", um discurso que foi adotado por alguns dos outros senadores.

Apesar das previsões de uma disputa acirrada, o chefe do Gabinete, Alberto Fernández, assegurou à imprensa local que o Governo "conta com os votos necessários" para aprovar o projeto e pediu "respeito às instituições democráticas".

Enquanto os senadores participavam de uma intensa jornada de discussões no interior do Palácio do Congresso, do lado de fora as mobilizações dos simpatizantes do Governo e do campo refletiam a divisão vivida na Argentina.

Centenas de simpatizantes governistas aguardaram durante todo o dia em frente às portas do Parlamento.

Já os defensores do setor agrário decidiram se concentrar a poucos quilômetros do local, no bairro de Palermo, para acompanhar o debate através de telões instalados nas ruas.

Durante a noite de quarta-feira, foram ouvidos em vários bairros de Buenos Aires "panelaços" contra o Governo e a favor da postura dos produtores agrários.

O projeto governamental chegou ao Senado após ser aprovado pela Câmara dos Deputados por 129 votos a favor e 122 contra, em uma sessão que foi encerrada no dia 5 de julho e que durou mais de 17 horas.

O setor agrário afirmou que, se o Senado aprovar a iniciativa, o próximo passo a ser adotado será recorrer à Justiça alegando que o polêmico esquema tributário é "inconstitucional".

O conflito entre o campo e o governo começou no dia 11 de março, quando o Ministério da Economia ditou uma resolução na qual impôs impostos móveis às exportações de grãos.

A rejeição ao novo esquema tributário gerou quatro greves que impediram a comercialização de grãos, além de bloqueios de estradas e desabastecimento de alimentos para a indústria, que causaram milionárias perdas ao país.

A crise provocou um intenso desgaste da imagem de Cristina Fernández, que viu seus índices de popularidade despencarem após sete meses de governo.

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