Senado argentino aprova antecipação de eleições legislativas

O Senado argentino aprovou, nesta quinta-feira, um projeto de lei que antecipa as eleições legislativas de outubro para o próximo dia 28 de junho. Com a decisão, o texto, que já havia sido aprovado na Câmara dos Deputados, só precisa agora ser sancionado pela presidente Cristina Kirchner para se tornar lei.

BBC Brasil |

Cristina Kirchner enviou o projeto ao Congresso Nacional há duas semanas, justificando que seria "suicida" prolongar a campanha eleitoral em um ano de crise econômica.

Desde então, parlamentares da base governista aceleraram o debate e a votação para cumprir os prazos exigidos pelo Código Eleitoral.

Por estes prazos, as chapas devem ser formadas até o dia 28 de abril, e a apresentação das candidaturas termina no dia 9 de maio.

Ou seja, a partir de agora, faltam cerca de três meses para as eleições legislativas, que costumam ser definidas por diferentes analistas como um "plebiscito" sobre o governo, já que ocorrem, normalmente, na metade do mandato presidencial.

O analista político Eduardo Fidanza, da consultoria Poliarquia e professor de Ciências Políticas da Universidade de Buenos Aires (UBA), afirmou à BBC Brasil que a decisão da presidente "surpreendeu" a oposição, que "corre contra o relógio" para cumprir o calendário eleitoral.

Leia também na BBC Brasil: Cristina Kirchner propõe antecipação de eleições legislativas
Na opinião de Fidanza, a situação econômica, com queda no Produto Interno Bruto (PIB), tem provocado um desgaste na imagem da presidente.

Segundo ele, se as eleições fossem em outubro, o governo poderia ter menos votos do que em junho.

A antecipação das eleições legislativas gerou forte debate entre governistas e opositores.

"Eu entendo que a crise internacional está afetando vários países. Mas Brasil e Chile, por exemplo, também sofrem os efeitos da crise e nem por isso mudaram o calendário eleitoral", disse o deputado Adrian Pérez, da opositora "Coalición Cívica".

Por sua vez, o líder do governo no Senado, senador Miguel Pichetto, afirmou que a antecipação das eleições poderá dar maior "harmonia" ao país, em um momento em que são registradas disputas, como a entre o setor rural e o governo.

Em um discurso feito pouco depois da votação no Senado, o ex-presidente Nestor Kirchner, presidente do Partido Justicialista (o maior do país) e marido da presidente, afirmou:
"Aplausos para o Senado. Essa votação é muito importante porque a Argentina precisa aprofundar a governabilidade, não pode caminhar para o passado".

O ex-presidente disse ainda que é hora de o setor rural, que já realizou sete protestos em um ano, entender que a presidente "foi eleita pelo povo e governa para o povo".

A eleição legislativa prevê a renovação de metade da Câmara e um terço do Senado.

O resultado definirá se o governo manterá a maioria nas duas casas, o que, segundo as últimas pesquisas de opinião, deve acontecer.

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