Senado americano volta à atividade sem saber sua composição

César Muñoz Acebes Washington, 3 jan (EFE).- O Senado dos EUA abrirá suas portas na terça-feira com a incógnita sobre sua composição, devido a uma cadeira ainda não decidida, outra concedida por um político suspeito de corrupção e a possibilidade inclusive de que haja um senador chamado Bill Clinton.

EFE |

A vitória de Barack Obama nas eleições e a configuração de seu gabinete deixaram no ar quatro dos 100 senadores, que devem ser nomeados pelos governadores dos respectivos Estados.

Os quatro governadores com poder de decisão são democratas, portanto no partido do novo presidente americano muitos deram as nomeações por feitas.

No entanto, o assento do próprio presidente eleito surpreendeu-os, depois que o governador de Illinois, Rod Blagojevich, acusado de querer vender a cadeira de Obama ao melhor licitante, os desafiou e nomeou Roland Burris como sucessor do presidente eleito.

Burris disse que pretende assumir o cargo, apesar da oposição da bancada democrata. "No passado, se negou o posto com um voto de maioria simples", disse à Agência Efe uma fonte do partido que pediu não ser identificada.

Mas a norma sobre os poderes da Câmara Alta para rejeitar um membro não está clara e é possível que os democratas tenham que aceitar inicialmente o juramento de Burris, que posteriormente tentarão expulsar, segundo as fontes.

Esta não é a única cadeira com destino incerto. John Cornyn, presidente do Comitê Nacional Republicano do Senado, disse que bloqueará a posse do democrata Al Franken como senador por Minnesota por ele estar imerso em uma disputa pelo posto com o republicano Norm Coleman desde as eleições de novembro.

Franken tem uma vantagem de apenas 49 votos, mas ainda faltam a contagem de algumas cédulas por correio.

Cornyn indicou que impedirá o juramento até que os tribunais resolvam o processo que Coleman deve apresentar.

Os democratas serão incapazes de neutralizar Cornyn, porque carecem da "super maioria" de 60 votos necessária para bloquear a minoria.

Com isso, na terça-feira haverá certamente no plenário 55 democratas, 41 republicanos e 2 independentes que geralmente votam com os democratas, mais a incógnita da cadeira de Obama, que irá para um democrata em todo caso, e o de Minnesota.

No entanto, três dos novos senadores ocuparão sua cadeira apenas brevemente, se não houver surpresas de última hora.

Entre as cadeiras, a mais disputada é a por Nova York que será deixada por Hillary Clinton quando o Senado ratificá-la como nova secretária de Estado.

Ela é pretendida por Caroline Kennedy, única filha viva do presidente John F. Kennedy, uma mulher reservada que se manteve fora da arena pública praticamente até que, durante a campanha eleitoral, deu a Obama um respaldo que valeu seu peso em ouro.

A perspectiva de uma senadora Kennedy fascina aos colunistas de fofocas, mas nas últimas semanas alguns analistas criticaram que se dê o cargo a ela somente por seu sobrenome, visto que ela não participou dos debates sobre os temas que afetam os nova-iorquinos.

O governador poderia, em seu lugar, designar a uma pessoa de renome, como o ex-presidente Bill Clinton ou o ex-governador democrata de Nova York Mario Cuomo, para ocupar o cargo de forma provisória até as eleições de 2010.

Enquanto isso, a vaga do senador Ken Salazar, escolhido por Obama como seu secretário do Interior, parece estar a ponto de se decidir.

O governador do Colorado, Bill Ritter, pretende dá-la ao secretário estadual de Educação, Michael Bennett, segundo várias fontes.

Finalmente, o posto de Joseph Biden no Senado será preenchido por Ted Kaufman, um ex-assessor do futuro vice-presidente, que o manterá até as eleições de 2010, nas quais disse que não vai se candidatar.

Um candidato potencial para esse pleito é um dos dois filhos de Biden, no caso Beau Biden, procurador-geral do estado e que está destacado atualmente no Iraque como parte de uma unidade da reserva ligada das Forças Armadas. EFE cma/jp

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