Semenya tem o triplo de testosterona que o normal, indicam testes

Testes feitos na corredora sul-africana Caster Semenya antes de ela ganhar a medalha de ouro no Mundial de Berlim concluíram que o nível do hormônio masculino testosterona em seu corpo era três vezes maior do que o esperado em uma atleta comum, apontam informações apuradas pela BBC. As análises a que a BBC teve acesso foram feitas antes do Mundial que ocorreu na semana passada, quando a excelente performance da sul-africana fez com que a Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF) pedisse a realização de novos exames para determinar o gênero sexual de Semenya, de 18 anos.

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Estes novos exames estão sendo realizados e os resultados devem ser divulgados em algumas semanas.

O hormônio testosterona é responsável pelo desenvolvimento de características masculinas que poderiam dar vantagens a uma atleta em uma competição. O aumento dos níveis deste hormônio, no entanto, pode ser causado por fatores naturais.

Apenas algumas horas antes da disputa pelos 800 metros em Berlim, vencida por Semenya em 1min55s, vazaram informações de que a IAAF teria solicitado à atleta que realizasse um exame para determinar seu gênero.

Variação

Os níveis de testosterona entre as pessoas podem variar bastante, o que torna difícil detectar eventuais infrações no caso de atletas.

Quando testes mostram que uma atleta tem um índice elevado do hormônio, ela é monitorada em intervalos regulares durante um período para estabelecer qual é a concentração normal da testosterona em seu corpo.

Este nível é usado como um padrão para o futuro, assim, qualquer grande diferença detectada levanta suspeitas.

Segundo informações apuradas pela BBC antes do Mundial de Atletismo de Berlim, foi solicitado à federação de atletismo da África do Sul que Semenya fosse retirada do time que competiria, o que a entidade sul-africana, no entanto, se recusou a fazer.

Recepção

As novas informações aumentam as especulações sobre o gênero de Semenya, que foi recebida como heroína nesta terça-feira na África do Sul.

Centenas de pessoas se reuniram em Johannesburgo para homenagear a velocista, que impressionou o mundo do atletismo com sua atuação.

O presidente sul-africano, Jacob Zuma, participou da recepção à atleta e criticou a polêmica envolvendo seu gênero.

"Queremos registrar nossa insatisfação com a maneira como a senhorita Semenya foi tratada", disse Zuma.

"A senhorita Semenya também lembrou ao mundo a importância dos direitos à dignidade e privacidade que todos os seres humanos devem desfrutar." A família da velocista e membros da federação de atletismo da África do Sul também a defenderam, insistindo que Semenya é 100% mulher.

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