Sementes egípcias podem ser origem do surto de E. coli na Europa

Segundo autoridades, sementes de feno-grego contaminadas vindas do Egito podem estar por trás das epidemias na Alemanha e na França

iG São Paulo |

Sementes de feno-grego contaminadas são suspeitas de ser a origem da epidemia que atingiu a Europa e ainda podem causar infecções se ainda estiverem na cadeia alimentar, alertaram autoridades europeias nesta quinta-feira.

As sementes egípcias podem estar por trás da epidemia por infecção alimentar na Alemanha que começou em maio e matou 49 pessoas e infectou mais de 4 mil em 15 países. As mesmas podem estar por trás do surto que atingiu a França em junho, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças europeu.

AP
Vendedor de temperos no Egito mostra sementes de feno-grego em mercado no Cairo
Na quinta-feira, o Laboratório Nacional Francês disse que a cepa da E. coli que atingiu 15 pessoas em Bordeaux é geneticamente similar à que contaminou pessoas na Alemanha. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a descoberta aumenta a prova de que as epidemias estão interligadas, apesar de os cientistas ainda não terem encontrado quaisquer sementes contaminadas no processo envolvendo infecção nas vítimas.

Segundo o professor de biologia da Universidade de Birmingham, “é incomum haver a mesma cepa rara na Alemanha e na França sem ligação alguma entre elas”.

As folhas de feno-grego são comumente utilizadas como tempero e também no preparo de curry. Se as sementes de feno-grego foram contaminadas em sua origem – durante a produção no Egito – elas podem ter sido resfriadas e secas antes de ser vendidas, permitindo que a bactéria da E. coli perdurasse por anos. Uma vez que a água é adicionada ao grão, a planta germina e o broto inteiro é infectado, o que é impossível de ser eliminado com lavagem.

“Brotos são bombas-relógio biológicas”, explicou à Associated Press Michael Osterholm, diretor do Centro para Pesquisa de Doenças Infecciosas da Universidade de Minnesota. “Se estão infectados, uma vez que são (...) distribuídos podem levar a bactéria a qualquer lugar”. De acordo com o especialistas, as sementes podem ainda contaminar outros produtos se vendidas em uma mistura de grãos.

Autoridades europeias recomendaram nesta quinta-feira que a população pare de fazer suas próprias plantações e não coma quaisquer tipo de broto, a menos que eles sejam totalmente cozidos.

Profissionais de saúde e segurança alimentar pediram à Alemanha e à França que encontrem rapidamente para onde as sementes supostamente contaminadas provenientes do Egito foram vendidas. Aparentemente, fazendeiros franceses teriam comprado as sementes da empresa britânica Thompson & Morgan.

Em comunicado, a companhia britânica disse ter recebido um fornecimento de sementes de feno-grego do Egito, que foi exclusivamente vendido em um mercado de jardinagem francês.

Surto

Na Alemanha, mais de 4 mil pessoas foram infectadas e 49 morreram durante o recente surto de E. coli. Em Bordeaux, na França, cerca de 15 pessoas foram infectadas. Também nesta quinta-feira, o Ministério de Saúde, Política Social e Igualdade espanhol disse que também está investigando as sementes de feno-grego que poderiam estar relacionadas com o surto.

A Comissão Europeia comunicou que a Espanha figura entre os seis países comunitários nos quais puderam ser distribuídas as sementes procedentes do Egito.

*Com AP, BBC e EFE

    Leia tudo sobre: alemanhaespanhapepinoe. coliegito

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG