Semana Internacional da Crítica de Cannes celebrará cinema latino-americano

María Luisa Gaspar Paris, 24 abr (EFE).- A Europa e a América Latina são as duas regiões mais interessantes do momento em matéria cinematográfica, segundo o delegado-geral da Semana Internacional da Crítica de Cannes, Jean-Christophe Berjon, que apresentou hoje em Paris a seleção de filmes para sua 47ª edição.

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Este ano, "há dois continentes evidentemente muito mais interessantes", disse Berjon à Agência Efe após a entrevista coletiva na qual apresentou a relação dos filmes que concorrem no evento paralelo ao Festival de Cannes, especializado, geralmente, em filmes de diretores em início da carreira.

"A Europa, e isso é novo este ano, e a América Latina, e isso não é novo", já que em 2007 a Semana tinha "propostas incríveis", particularmente de três países, "sempre os mesmos, Argentina, Brasil e México", acrescentou.

O Chile propôs este ano "muitas coisas apaixonantes", e algumas estarão em outros lugares, comentou, mas não nesta mostra paralela, cuja 47ª edição em Cannes acontecerá de 15 a 23 de maio.

Entre os sete longas na competição, a Argentina concorrerá com uma co-produção com França e Alemanha, dirigida por Pablo Fendrik, "La sangre brota", obra que "confirma as promessas" de "El asaltante", destacaram os organizadores da Semana ao fazer o anúncio.

Os outros seis longas que concorrem ao Grande Prêmio da Semana, cinco deles estréias de diretores, virão da Europa.

São eles: "Das fremde in mir", de Emily Atef (Alemanha); "Aanrijding in Moscou", de Christophe van Rompaey (Bélgica); "Better Things", de Duane Hopkins (Reino Unido); "Les grandes personnes", de Anna Novion (França); "Snijeg", de Aida Begic (Bósnia, França); e "Vse umrut a ja ostanus", de Valeria Gaia Germanica (Rússia).

Apesar da vitalidade do cinema latino-americano, "buscamos um equilibro e queríamos ter 'La sangre brota'".

Também há vários filmes mexicanos na agenda, entre eles a revelação do ano da Federação Internacional da Imprensa Cinematográfica (Fipresci, em francês), "Lake Tahoe", de Fernando Eimbcke.

Do mesmo diretor de "Temporada de Patos", essa "delícia total", descoberta na Semana da Crítica em 2004, fez Berjon se lembrar de Eimbcke.

Além disso, "decidimos encerrar com um filme mexicano" e já pensado desde o início: "Desierto adentro", segundo longa de Rodrigo Pla - que atualmente é reconhecido por "La zona" - "e não era possível continuar com essa quantidade de filmes latino-americanos" como em 2007, disse.

Berjon, que apesar da crescente oferta de filmes recebidos tentou diminuir ao máximo o número de obras selecionadas, disse que muitos dos destaques de seu comitê foram europeus e latino-americanos, embora estes últimos estejam em menor número no programa final.

O certo é que "há uma geração de diretores em toda a América Latina que é brilhantíssima", destacou Brejon, como também fez na quarta-feira o delegado-geral do 61º Festival de Cannes ao apresentar a mostra oficial.

Ele também antecipou que, nos próximos anos, o cinema teria uma presença ainda mais importante do que atualmente.

Sobre a Espanha, Berjon comentou que viu "muitas coisas interessantes" em Madri, "no mínimo 30 ou 35" obras de diretores em início de carreira. O cinema espanhol "está numa situação difícil", entre uma "forma muito acadêmica e a busca de algo diferente".

Mas "não vi uma mistura realmente pertinente" desta vez, explicou.

Ele lamentou não ter podido incluir em seu programa o terceiro longa do premiado Jaime Rosales, "Un tiro en la cabeza" - sobre o terrorismo da ETA -, dada a especificidade de seu festival, e se mostrou surpreso por não estar em Cannes, pelo menos por enquanto.

A segunda sessão paralela do Festival de Cannes, a Quinzena dos Produtores, apresenta amanhã a agenda de filmes e as atividades com as quais comemorará seu 40º aniversário, de 15 a 25 de maio.

De qualquer maneira, o cinema espanhol brilhará por sua ausência este ano na Semana, cuja seleção final será "profunda e humanista", mas um pouco mais rápida, "porque senão seria insuportável", pois a "cor geral do que vemos é trágico, não apenas dramático, é horrível", comentou.

Se um diretor fala dos mesmos temas com um pouco de humor, generosidade e visão, "magnífico", mas "não temos medo de algo verdadeiramente rude, difícil, como 'Better Things', o filme britânico, e inclusive de 'La sangre brota', que é muito rude", disse.

A Semana Internacional da Crítica de Cannes, que revelou talentos como Bertolucci e Ken Loach, acontecerá paralelamente à 61ª edição do Festival de Cannes, de 14 a 25 de maio. EFE lg/wr/db

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