Washington - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, terá uma semana decisiva para sua política externa: fará sua primeira visita à ONU, tentará dar um novo impulso ao processo de paz no Oriente Médio e presidirá a cúpula do Grupo dos Vinte (G20, os países desenvolvidos e as principais nações emergentes).

Após semanas focado na reforma da saúde, nos próximos dias Obama discutirá assuntos como a mudança climática, a proliferação das armas nucleares e a regulação do sistema financeiro.

Ele também dará uma atenção especial às reuniões que terá na terça-feira com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas. Nos encontros, os três tentarão relançar o processo de paz no Oriente Médio.

Primeiro, o presidente americano se reunirá a portas fechadas com cada um dos visitantes. Depois, juntará os dois para uma conversa a três. Embora não seja esperado um anúncio sobre as discussões, o encontro em si já é visto como um progresso quase cinco meses depois da volta de Netanyahu ao poder.

O programa nuclear iraniano é outro assunto na pauta americana. Os EUA pressionam o Irã para que aceite a oferta de diálogo que fez junto com China, Rússia, Reino Unido, França e Alemanha.

Por conta disso, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, deve participar de uma reunião com os ministros de Assuntos Exteriores envolvidos nos contatos.

A embaixadora dos EUA nas Nações Unidas, Susan Rice, já disse que Obama também tratará do assunto tanto nos encontros bilaterais como na primeira reunião do Conselho de Segurança da ONU que presidirá desde que tomou posse.

O chefe de Estado americano, que amanhã viaja para Nova York, terá uma reunião à parte com o presidente da China, Hu Jintao; com o primeiro-ministro japonês, Yukio Hatoyama, e com o presidente russo, Dmitri Medvedev.

Além do Irã, essas conversas abordarão o programa nuclear norte-coreano e a luta contra a proliferação de armamentos desse tipo.

Com Hu, especificamente, Obama também falará das tarifas americanas sobre os pneus chineses. Já com Medvedev, tratará da sua decisão de abandonar o escudo antimísseis que o ex-presidente George W. Bush pretendia instalar na Europa, principal empecilho nas relações russo-americanas.

Na terça-feira, Obama terá ainda que comparecer à cúpula sobre mudança climática que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, convocou com o intuito de abrir caminho para um acordo internacional que substitua o Protocolo de Kioko em dezembro.

O presidente americano, um firme defensor da luta contra a mudança climática, terá a difícil tarefa diplomática de aproximar as posições dos países ricos e das nações em desenvolvimento, que são reticentes a aceitar cortes obrigatórios nas emissões de gases estufa.

Rice reconheceu a dificuldade de essa meta ser alcançada, mas destacou que esse é "um problema comum, no qual todos devem dar um passo à frente para tentar resolvê-lo".

A estreia de Obama na ONU acontecerá na quarta-feira, quando fará seu primeiro discurso aos 192 membros da Assembleia Geral. Segundo a embaixadora dos EUA na organização, o presidente exporá seu conceito da cooperação internacional.

"Ele pedirá que se avance além das atuais divisões quando for preciso abordar os desafios comuns e lembrará que todos têm responsabilidades mútuas", declarou a diplomata.

Na quinta, o presidente vai liderar uma reunião no CS com chefes de Estado e de Governo, a quinta na história e a primeira presidida por um chefe de Estado americano.

Essa reunião analisará a luta contra a proliferação nuclear e a proposta de Obama para um mundo sem armas nucleares, segundo Rice.

No mesmo dia, Obama voará para Pittsburgh (Pensilvânia), onde vai comandar a cúpula do G20, que buscará medidas para consolidar a recuperação da economia mundial.

Será a primeira vez em que Obama vai ser o anfitrião de uma cúpula internacional.

Michael Froman, representante da Casa Branca no G20, antecipou que os EUA buscam um pacote "robusto" para a governabilidade e transparência do setor bancário.

Os representantes da União Europeia (UE), por sua vez, pedem regras internacionais para os salários e bônus pagos aos banqueiros.

Do acordo que Obama ajudar a fechar dependerão tanto a adoção das medidas que poderão resgatar a economia como seu prestígio como negociador internacional.

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