Sem recursos, campanha contra febre amarela pode parar, diz OMS

GENEBRA (Reuters) - O estoque emergencial de vacinas contra febre amarela pode acabar no ano que vem, e não há recursos para continuar a campanha de imunização depois disso, alertaram especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta terça-feira. O vírus transmitido por mosquitos infecta 206 mil pessoas por ano e mata 52 mil, principalmente em regiões tropicais da África e da América.

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Os recentes surtos no Brasil, na República Centro Africana e em outros lugares diminuíram as 6 milhões de doses de vacinas reservadas para uma resposta emergencial. Além disso, um rombo de 186 milhões de dólares deixou a OMS sem condições de imunizar populações de alto risco em Gana e Nigéria como estava planejado.

Rosamund Lewis, líder da Iniciativa contra a Febre Amarela da OMS, disse que os esforços de vacinação em populações vulneráveis, tanto como prevenção como em resposta a surtos, teriam que ser interrompidos a não ser que novos recursos sejam disponibilizados rapidamente.

"Para 2011, a Iniciativa contra a Febre Amarela não tem recursos nem para os estoques emergenciais nem para as campanhas contínuas de prevenção", declarou em encontro com jornalistas em Genebra.

Outros especialistas dizem que a crise financeira global afetou a ajuda internacional e está tendo um impacto direto sobre o combate contra o vírus da febre amarela.

"Se olharmos além de 2009, já vemos restrições sérias de financiamento", disse William Perea, coordenador de intervenção e prontidão epidêmica da OMS, em comunicado após o encontro de dois dias entre a Organização das Nações Unidas (ONU) e grupos de assistência.

Trinta e três países africanos, com uma população combinada de 508 milhões de pessoas, estão na zona de risco da febre amarela. A doença também é endêmica em nove países da América do Sul e em várias ilhas do Caribe.

Fenella Avokey, do escritório regional da OMS na África, afirmou que o aporte de novos recursos é desesperadamente necessário para proteger as crianças e outros grupos vulneráveis à doença, cujo nome deriva do tom amarelado que ela pode provocar na pele.

(Reportagem de Laura MacInnis)

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