Sem reconhecer Ossétia e Abkházia, aliados da Rússia criticam Geórgia

Ignacio Ortega Moscou, 5 set (EFE).- Os líderes da pós-soviética Organização do Tratado de Segurança Coletiva (OTSC) criticaram hoje as ações militares da Geórgia na região do Cáucaso, mas omitiram seu apoio ao reconhecimento da Rússia à independência da Ossétia do Sul e da Abkhásia.

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"Os países-membros da OTSC estão profundamente preocupados com a tentativa da Geórgia de solucionar pela força o conflito da Ossétia do Sul", destaca a declaração aprovada pelos líderes dos países-membros da organização.

A OTSC, o braço armado da Comunidade dos Estados Independentes (CEI), denunciou que a ação militar lançada pela Geórgia em 8 de agosto teve "graves conseqüências humanitárias" e causou "inúmeras vítimas entre a população civil e as forças de paz".

Além disso, a declaração apóia "o papel ativo da Rússia para garantir a paz e a segurança" nas separatistas Ossétia do Sul e Abkházia, informaram as agências russas.

Por outro lado, como reconheceu em entrevista coletiva o presidente russo, Dmitri Medvedev, a OTSC não chegou a respaldar abertamente a decisão de Moscou de reconhecer a independência das duas províncias.

"Naturalmente, todos os membros da OTSC tomarão uma decisão a respeito de modo autônomo (...), levando em conta seus interesses nacionais", destacou a organização.

O presidente russo considerou essa atitude "totalmente acertada", já que o direito internacional diz que o reconhecimento à independência de um território não é uma decisão que possa ser tomada de maneira conjunta, mas uma prerrogativa de cada país.

Como aconteceu na semana passada com a China, na cúpula da Organização de Cooperação de Xangai, Medvedev não conseguiu fazer seus aliados se comprometerem a reconhecer a independência das regiões separatistas georgianas.

No entanto, a OTSC, integrada por Rússia, Belarus, Armênia e quatro repúblicas centro-asiáticas - Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão e Uzbequistão -, se mostrou terminantemente contra um novo "rearmamento" da Geórgia.

"Não gostaríamos que a Geórgia, que atuou como agressora, continuasse se armando sem controle", disse Medvedev, que criticou aqueles que continuam cooperando militarmente com Tbilisi.

Por outro lado, os aliados de Moscou pediram à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que recue em seus planos de se expandir para o leste da Europa. Além disso, criticaram a instalação de partes do escudo antimíssel americano nas fronteiras da OTSC.

"Um conflito em potencial está se acumulando nas proximidades da área de responsabilidade da OTSC. A escalada de tensão no Cáucaso representa uma ameaça", disseram os países da organização.

O grupo pós-soviético advertiu à Aliança Atlântica que tem meios de "garantir a segurança em sua zona de responsabilidade" e que está disposta a cooperar na luta contra o terrorismo e o narcotráfico no Afeganistão.

A OTSC também disse que apóia a iniciativa russa para a elaboração de um novo "tratado europeu de segurança ", o reforço do papel da ONU e o aumento da efetividade da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

"Após o ocorrido na Ossétia do Sul, é óbvio que a arquitetura de segurança que existia antes de 8 de agosto se mostrou frágil. Ela é incapaz de garantir a segurança. O novo sistema deve estar baseado na multipolaridade", ressaltou Medvedev.

Na opinião do chefe de Estado russo, o novo sistema "deve impedir que um país exerça uma posição dominante" e evitar "a interpretação arbitrária da teoria de prevenção de conflitos".

"Essa foi uma das razões do ocorrido recentemente na Ossétia", afirmou.

O documento final também defende o direito do Irã a desenvolver um "programa nuclear pacífico" e defende a "pronta solução do conflito por meio do diálogo, com um papel ativo por parte da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica)".

A Rússia e seus aliados decidiram ainda reforçar a cooperação militar no seio da organização - com criação de forças de paz e de unidades de deslocamento rápido -, para que possam reagir com maior rapidez em situações de crise.

"A OTSC deve ser fiadora da integridade territorial e da soberania de nossos países, e também da não interferência em seus assuntos internos", frisou Medvedev. EFE ip/sc

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