Sem policiamento, população tenta conter saques no Egito

Cidadãos comuns se armam com porretes e facas e fazem vígila para proteger bairro do Cairo contra saqueadores

iG São Paulo |

A falta de policiamento nas maiores cidades do Egito, que vive um onda de protestos desde terça-feira, levou cidadãos comuns a se armarem para tentar proteger os bairros de saquadores. A polícia deixou as ruas da capital, Cairo, após confrontos com manifestante antigoverno que deixaram cerca de cem mortos.

O Exército enviou tropas e blindados para proteger os prédios governamentais e restabelecer a ordem, mas não está fazendo o policiamento. Durante a madrugada de domingo, moradores do Cairo, armados com porretes, correntes e facas fizeram grupos de vigília contra saqueadores.

Em Zamalek, um dos bairros do Cairo de classe alta e local de várias embaixadas, jovens zeladores de prédios com bastões e facas foram para as ruas para fazer a segurança. "O toque de recolher não vale muito, mais adiante alguns soldados conversam com a gente sem problemas, mas sem policiais. As pessoas aqui estão com medo das gangues", disse um jovem que se identificou apenas Aiman.

Havia muito nervosismo entre os jovens nas ruas. Com a ausência de policiais de tráfego, alguns tentaram organizar o pouco trânsito de carros. As emissoras locais disseram que milhares de prisioneiros fugiram de duas prisões ao redor da capital.

Os saqueadores não atacaram somente estabelecimentos particulares, mas também prédios públicos, hospitais e até escolas. O Museu Nacional, local que guarda preciosos artefatos de milhares de anos da história do Egito, foi atacado.

Segundo as autoridades, não houve roubos ao acervo do museu. No entanto, imagens de emissoras locais mostravam estatuetas e outros artefatos quebrados pelo chão. Diretores do museu disseram que duas múmias foram danificadas.

Demonstração de força

Os protestos continuam neste domingo, o sexto dia consecutivo de manifestações. No Cairo, dois jatos e um helicóptero da Força Aérea do Egito fazem repetidos voos sobre praça de Tahrir, epicentro dos protestos, numa aparente demonstração de força.

O presidente do Egito, Hosni Mubarak, se encontrou neste domingo com militares de alto escalão em uma tentativa de assegurar a fidelidade dos militares e manter no poder diante de protestos sem precedentes por sua saída. Em pronunciamento transmitido pela TV estatal neste domingo, o general Mohamad Tantawi fez um apelo para que a população respeite o toque de recolher, remanejado para começar às 16h (horário local, meio-dia em Brasília) e terminar às 8h de domingo (4h em Brasília) no Cairo e nas cidades de Alexandria e Suez.

Soldados foram vistos em tanques e veículos blindados em volta da praça, mas a relação entre militares e manifestantes parece amigável. A polícia, que por diversas vezes entrou em confronto com os participantes dos protestos, são raramentes vistos nas ruas.

Com BBC e Reuters

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