Sem incidentes, foco de conflito na China amanhece sob tensão

Urumqi (China), 8 jul (EFE).- A cidade de Urumqi, palco de três dias de violência entre chineses e uigures, despertou hoje sem incidentes mas em clima de tensão, após uma noite em que foi declarado toque de recolher e que teve minuciosa patrulha do Exército nas ruas.

EFE |

Durante as 11 horas de proibição de civis nas ruas (21h às 8h), foi possível escutar as patrulhas em formação, correndo e cantando marchas militares, como pôde comprovar a Agência Efe durante toda a noite.

Helicópteros do Exército de Libertação Popular (ELP) da China sobrevoam a cidade atingida pelos protestos, que ontem provocaram graves destruições no bairro uigur, arrasado pelos enfurecidos chineses da etnia han.

Os comércios do bairro, no centro da cidade, amanheceram hoje com vidros quebrados, instalações destruídas, e seus habitantes uigures dominados pelo pânico, embora alguns deles hoje tenham se atrevido a sair à rua e a falar com jornalistas.

"Os distúrbios de domingo estavam orquestrados", assegurou à Efe um dos moradores uigures do bairro, que declarou que sua etnia sempre viveu "pacificamente" na capital Urumqi e "não tem nada contra os chineses han".

Os moradores disseram, no entanto, que a população uigur estava furiosa por o Governo chinês ter ocultado o linchamento de uigures em 26 de junho em uma fábrica da província de Cantão (sul), incidente no qual morreram duas pessoas e que foi o estopim para a escalada de violência que deixou ao menos 156 mortos.

"Tivemos que saber pela internet", lamentaram, justificando os protestos pacíficos de estudantes no domingo pedindo que Pequim contasse a verdade e castigasse os culpados.

Apesar das diferenças, uigures e chineses concordam que o número de mortos em 5 de julho é muito superior ao divulgado pelo Governo.

A Efe comprovou como as autoridades chinesas tentam limitar o trabalho da imprensa estrangeira, com detenções rápidas e revistando materiais.

A coerção foi acompanhada por um grande bloqueio de informação.

Desde a madrugada de hoje, a agência oficial "Xinhua" deixou de informar sobre o conflito étnico, e também não aparecem mais imagens de enfrentamentos na TV estatal.

Vários sites e blogs estrangeiros estão bloqueados em todo o país ou têm seu acesso limitado. O popular Facebook segue inacessível, da mesma forma que anteriormente foi feito com o YouTube e o Twitter.

EFE mz/rr

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