Sem avanços, Roche suspende pesquisas sobre Aids

NOVA YORK (Reuters) - O laboratório suíço Roche Holding AG anunciou na sexta-feira a decisão de suspender suas pesquisas sobre a Aids, porque nenhum dos medicamentos em estudo representa uma melhora significativa sobre os remédios atuais. Linda Dyson, assessora de imprensa da empresa nos EUA, confirmou o teor de um email enviado na quarta-feira a ativistas sobre a decisão, e explicou que os pesquisadores envolvidos serão realocados para outras tarefas.

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Naquele email, a Roche dizia que havia decidido 'refocar nossos recursos dentro da virologia em doenças para as quais podemos fornecer melhorias substanciais em relação aos medicamentos existentes'.

O laboratório dizia ter concluído que seus medicamentos contra a Aids em fase de testes pré-clínicos, embora inicialmente promissores, não forneciam 'um verdadeiro benefício adicional para os pacientes em comparação com os remédios atualmente no mercado'.

A Roche não divulgou quanto investia na pesquisa de medicamentos contra a Aids, um mercado que deve atingir 10,6 bilhões de dólares no mundo até 2015, segundo estudo publicado pela empresa Datamonitor em 2007.

O laboratório disse que vai reavaliar sua participação nesse campo caso alguma novidade importante surja no mundo científico.

Peter Staley, fundador da ONG AidsMeds.com, que monitora o noticiário sobre a doença, disse que a Roche nunca teve um medicamento campeão de vendas contra o vírus HIV.

'É frustrante que haja menos uma grande companhia farmacêutica neste campo, [mas] não acho que seja um sinal de um problema sério no compromisso do setor farmacêutico', disse ele.

A Roche disse que vai manter no mercado seus exames de diagnóstico molecular e seus medicamentos atuais, como o inibidor de fusão Fuzeon, parceria com a norte-americana Trimeris, uma droga que faturou 266,8 milhões de dólares no ano passado.

Staley disse que o tratamento com o Fuzeon -- 25 mil dólares por ano -- é mais caro que da maioria dos demais medicamentos disponíveis contra a Aids.

(Reportagem de Deepa Seetharaman)

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