Sem avanços em diálogo, Morales pede flexibilidade à oposição

Cochabamba (Bolívia), 20 set (EFE).- O presidente da Bolívia, Evo Morales, pediu hoje flexibilidade no terceiro dia do diálogo com os opositores, o qual ainda não registrou avanços concretos para solucionar a grave crise do país.

EFE |

O chefe de Estado disse em entrevista coletiva que está esperançoso de que a presença de representantes da ONU, da Organização dos Estados Americanos (OEA), da União de Nações Sul-americanas (Unasul) e da União Européia (UE) possa "permitir flexibilizar alguns governadores".

As negociações, que completaram seu terceiro dia no departamento (estado) de Cochabamba, tratam, principalmente, da distribuição dos impostos sobre o petróleo, do projeto de nova Constituição e das autonomias reivindicadas pelos opositores.

Morales também insistiu em seu pedido para os a oposição devolva as 11 instituições do Estado que ainda continuam ocupadas, das 50 que chegaram a ser tomadas durante a onda de conflitos que o país viveu na semana passada.

O presidente destacou a disposição de seu Governo em conversar com a oposição, apesar da declaração da Unasul assinada em Santiago do Chile esta semana, segundo a qual a desocupação das entidades era necessária para dar início ao diálogo.

"Começamos o diálogo há dois dias - antes da devolução das instituições -, inclusive com pessoas que cometeram atos rebeldes", ressaltou Morales, referindo-se aos governadores opositores.

Morales também reafirmou que fez consultas, "de maneira muito sincera e clara", com os movimentos sociais, indígenas, camponeses e dos mineradores, para falar do projeto da nova Constituição e revisar o capítulo referente às autonomias.

"É um grande desprendimento de setores sociais que apostaram na nova Constituição", ressaltou o governante, que, no entanto, justificou a mobilização que os camponeses promovem perto do departamento de Santa Cruz, reduto dos opositores de Morales e onde, desde sexta-feira, acontece a maior feira de produtos e serviços do país.

"Não é um cerco, é uma mobilização dos setores sociais em defesa da democracia", disse Morales, que espera chegar a um acordo até amanhã, já que deve viajar na segunda-feira para Nova York, onde vai participar da Assembléia Geral da ONU no dia seguinte.

O presidente chegou a dizer que o pedido dos setores sociais para fazerem parte das negociações era "bem-vindo", porém, a incorporação deles poderia tornar ainda mais complexas as conversas, segundo reconheceram fontes oficiais e da oposição.

O secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, que está na Bolívia desde sexta-feira, também destacou a necessidade da entrega de todas as instituições do Estado e da suspensão dos bloqueios nas estradas.

Em relação à reivindicação das regiões opositoras para que o Executivo devolva os recursos referentes à exploração de petróleo, as partes confirmaram seus pontos de vista, mas, segundo o Governo, há "propostas concretas" para solucionar o tema que ainda não foram especificadas.

Na prática, o diálogo para solucionar a grave crise do país ainda não teve um avanço substancial e se centrou no trabalho das comissões temáticas, que ainda discutem um relatório a ser apresentado ao presidente nas próximas horas.

Durante todo o dia, as partes tentaram consolidar a mesa dos debates do plenário, mas foram realizadas intensas reuniões com Insulza e o enviado da Unasul, Juan Gabriel Valdez.

Valdez ressaltou hoje que a Unasul apóia o Governo de Morales: "Sentimo-nos depositários de uma esperança regional em uma nova organização que é a Unasul, que tem um trabalho importante a desenvolver no apoio à democracia e ao desenvolvimento do continente". EFE ja/ab/sc

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