Sem astros, Festival de Berlim se refugia em Irã e Turquia

Gemma Casadevall. Berlim, 16 fev (EFE).- Com o crescente peso da ausência de grandes estrelas, o Festival de Berlim encontrou refúgio hoje nos cinemas iraniano e turco, pelas mãos de Rafi Pitts e Semih Kaplanoglu.

EFE |

"Honey" ("mel", na tradução livre), de Kaplanoglu, e "The Hunter" ("o caçador"), com Pitts como diretor e protagonista, cumpriram o tradicional objetivo do festival alemão de olhar para núcleos diferentes. Nesses dois casos, as histórias são centradas em núcleos familiares destruídos.

Pitts é um bom pai de família, obrigado a trabalhar de guarda noturno por ser ex-presidiário. Sua bela mulher e sua filha, de 7 anos, morrem em um tiroteio entre policiais e manifestantes nas ruas de Teerã.

Seco por revanche, ele mata dois policiais. A partir desse ponto, começa uma perseguição por florestas e se passa da situação interna iraniana a algo tão universal como a dualidade entre outros dois agentes: o corrupto e o íntegro.

Em outra floresta, na Anatólia, vive Yousef e seus pais, outro jovem casal de aspecto quase idêntico ao de Pitts.

Yousef é uma criança que não fala com fluência e que gagueja em classe. Ajuda a mãe no campo e o pai na produção de mel, até que uma tragédia atinge a família.

De forte conteúdo político na Teerã de hoje, no caso de Pitts, e centrado no olhar da criança, no de Kaplanoglu, o Festival de Berlim mostrou assim duas lições do bom uso do silêncio.

Trata-se, tanto no caso do jovem cineasta iraniano como no de Kaplanoglu - ele fecha com esse filme a trilogia sobre Anatólia-, de duas co-produções com generosa contribuição alemã. O dinheiro saiu da poderosa televisão pública e de fundos regionais de dois estados do país.

Pitts contou, além disso, com ajudas do fundo World Cinema do Festival de Berlim, destinado a potencializar a sétima arte na América Latina e no Oriente Médio.

Desses mesmos fundos saíram filmes como "A Teta Assustada", da peruana Claudia Llosa (Urso de Ouro em 2009), e "O Abraço Partido", de Daniel Burman (Grande Prêmio do Júri em 2004).

O Festival de Berlim impulsionou e seguirá impulsionando filmes do tipo, como é seu dever de bom festival, o que não o exime de também ter que apresentar espetáculos e estrelas sobre o tapete vermelho.

A 60ª edição de antemão já parecia fraca. Até agora, os dois grandes heróis do festival - Roman Polanski e Banksy - não estiveram presentes. O primeiro, porque segue detido na Suíça por pendências com a Justiça dos Estados Unidos; o segundo, porque faz parte da áurea de ativista do grafite defender o anonimato.

A máxima estrela internacional da edição foi até agora Leonardo DiCaprio, à frente do filme de Martin Scorsese "Ilha do Medo", fora de competição.

Um único astro não é suficiente para 11 dias de tapete vermelho.

Esperava-se mais nesse quesito. Nos dias anteriores ao evento, a imprensa local divulgava imagens de edições anteriores onde estrelas como Madonna, Rolling Stones, George Clooney, Denzel Washington e Jack Nicholson mostraram a cara.

As únicas presenças hoje que alegraram o círculo midiático foram as de Amanda Peet, Rebecca Hall e Catherine Keener, trio protagonista de "Please Give", de Nicole Holofcener, fora de competição. Para amanhã se espera a aparição de Julianne Moore, com "The Kids Are All Right", que também não concorre ao Urso. EFE gc/rr

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG