Sem apoio e pressionado, Paulo Octávio deixa Governo do DF

Eduardo Davis. Brasília, 23 fev (EFE).- Sem apoio e abalado pelo mesmo escândalo que mantém preso o hoje governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda, Paulo Octávio renunciou nesta terça-feira ao cargo que, como vice-governador, ocupava de forma interina.

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Com a renúncia de Paulo Octávio e com Arruda na prisão, o Governo do DF será assumido pelo atual presidente da Câmara Legislativa, Wilson Lima, no cargo há apenas poucas semanas. O escândalo também arrastara seu antecessor, Leonardo Prudente.

A crise na capital começou em novembro passado, quando foram divulgados vídeos em que um homem de confiança de Arruda dava elevadas quantias de dinheiro ao próprio governador, assim como a vários secretários de Governo, deputados e outros políticos.

Nas imagens, vários dos beneficiados chegam a aparecer escondendo dinheiro nas meias e nas cuecas, ou se abraçando e agradecendo a Deus pelo que recebiam.

Os vídeos, que geraram uma tempestade política, caíram nas mãos da Polícia, que não hesita em afirmar que o dinheiro era fruto de corrupção e comissões de empresas que trabalham para Brasília.

Arruda resistiu várias semanas ao escândalo, se manteve no cargo apesar dos protestos diários que exigiam sua renúncia, mas acabou preso pela Polícia Federal no último dia 11, quando a Justiça determinou que havia "provas contundentes" contra ele.

Desde então, o primeiro governador do país preso no exercício do cargo permanece em uma pequena sala de um prédio da Polícia Federal.

Arruda pode passar até 83 dias preso de forma preventiva.

No entanto, a defesa apelou ao Supremo Tribunal Federal, que na próxima quinta-feira deverá decidir se aprova um recurso de habeas corpus que permitiria a ele responder em liberdade ao processo.

Quando a Polícia Federal deteve Arruda, o Governo foi assumido de forma interina por Paulo Octávio, seu companheiro de chapa nas eleições de 2006.

Paulo Octávio, empresário do ramo da construção que teve nessas eleições sua primeira experiência política, não é acusado formalmente pelo escândalo, mas existem suspeitas de que também estaria envolvido.

Sem apoio político e abandonado pelo Democratas (DEM), ele resistiu apenas 12 dias no cargo. Hoje, primeiro se desfiliou do partido para, depois, renunciar ao Governo.

"Não tenho receios. Respondo, tranquilamente, por todos os meus atos (...) Todos os esforços que realizei para garantir as condições mínimas de governabilidade tiveram como objetivo maior evitar que a autonomia política e administrativa do Distrito Federal venha a ser gravemente afetada por decisão judicial", diz a carta.

Com essa referência à autonomia política, Paulo Octávio aludiu à séria possibilidade de que a Justiça decida que o escândalo e suas dimensões justificam uma intervenção federal, o que representaria que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva designe por decreto um governador.

Se não se chegar a esse extremo, Wilson Lima deverá permanecer à frente do Governo até 1º de janeiro de 2011, data em que assumirá o cargo o governador eleito no pleito marcado para 3 de outubro próximo.

O escândalo atrapalha a grande festa que as autoridades preparavam para o próximo dia 21 de abril, quando serão lembrados os 50 anos da fundação de Brasília.

Além disso, mantém paralisadas várias obras que começaram nos últimos meses para a Copa do Mundo de 2014, que tem em Brasília uma de suas sedes. EFE ed/rr

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