Sem ação global, falta de comida gerará mais violência, diz FAO

Por Robin Pomeroy ROMA (Reuters) - Os distúrbios surgidos em países em desenvolvimento por causa da alta no preço dos alimentos vão se tornar mais frequentes se os líderes mundiais não adotarem medidas drásticas para reduzir esses preços aos pobres, afirmou na sexta-feira o chefe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

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Apesar da expectativa de que a produção mundial de cereais aumente 2,6 por cento neste ano, os preços recordes não devem cair, provocando uma elevação de até 56 por cento nos gastos dos países mais pobres com a importação de comida e levando as pessoas sem alimentos a se rebelar, afirmou o diretor-geral da FAO, Jacques Diouf.

'A verdade é que as pessoas já estão morrendo nos levantes', afirmou Diouf em uma entrevista coletiva.

'Elas estão morrendo por causa da forma como reagem a essa situação e, se nós não adotarmos as medidas necessárias, há certamente a possibilidade de que morram de fome. Claro que as pessoas não vão ficar paradas esperando morrer de fome. Elas vão reagir.'

Distúrbios relacionados à falta de alimentos surgiram em vários países da África, na Indonésia, nas Filipinas e no Haiti, afirmou a FAO.

No total, 37 países enfrentam crises devido aos preços altos, disse a entidade em seu mais recente relatório sobre a situação.

'Estou surpreso com o fato de não termos sido chamados ao Conselho de Segurança da ONU já que muitos dos problemas discutidos ali não teriam o mesmo tipo de reverberação para a paz, a segurança e os direitos humanos (na ausência das crises de falta de comida)', disse Diouf.

O aumento da demanda por alimentos em países emergentes como a China e a Índia, o uso de terras férteis para produzir biocombustíveis, a queda dos estoques mundiais para o nível mais baixo dos últimos 25 anos e a especulação nos mercados de futuro são fatores que estão provocando a alta recorde dos preços de produtos como o trigo, o milho e o arroz.

Enquanto os moradores dos países ricos sentem o efeito do fenômeno em suas contas de supermercado, os moradores dos países em desenvolvimento sofrem muito mais, já que gastam de 50 a 60 por cento de sua renda com a comida (no mundo desenvolvido, essa cifra é de 10 a 20 por cento).

CÚPULA DA CRISE DOS ALIMENTOS

Diouf convocou os chefes de Estado e de governo do mundo todo para participarem de uma cúpula sobre a crise dos alimentos na sede da FAO, em Roma, nos dias 3 a 5 de junho.

Segundo Diouf, a prioridade era realizar uma 'enorme transferência de sementes' -- a fim de garantir que os agricultores dos países pobres possam comprar sementes, fertilizantes e ração a preços acessíveis.

O chefe da FAO sugeriu ainda criar mecanismos financeiros para garantir que os países mais pobres consigam continuar comprando comida.

Os comentários dele repetem os do primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Gordon Brown, que convocou nesta semana uma resposta coordenada à crise dos alimentos.

Diouf afirmou ainda ser normal que os países em desenvolvimento limitem as exportações de produtos alimentícios. O preço do arroz deu um salto de 40 por cento em três dias, recentemente, quando a Índia e o Vietnã suspenderam as exportações do produto, disse o chefe da FAO.

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