Seleção se classifica em meio a mar de cornetas

Pouco menos de uma semana dentro da Copa das Confederações, da África do Sul, as tradicionais cornetas sul-africanas, as vuvuzelas, se tornam cada vez mais controvertidas. Nesta quinta-feira, dia em que o Brasil bateu facilmente os EUA por 3 a 0, carimbando a passagem para as semifinais do torneio, foi a vez de Robinho, autor do segundo gol brasileiro, reclamar.

BBC Brasil |

"De dentro do campo, não consigo escutar as instruções do Dunga", disse ele após o jogo.

Já o técnico brasileiro preferiu não expressar opinião sobre o controverso assunto. A Fifa afirmou que vai estudar a possibilidade de proibir as cornetas durante a Copa de 2010.

As "vuvuzelas" são uma tradição do futebol sul-africano, especialmente da torcida negra. Desde o início da Copa das Confederações o som altíssomo que elas produzem vem sendo alvo de críticas.

Muitos na África do Sul defendem seu uso, alegando ser uma manifestação cultural. Proibi-las, descaracterizaria a forma de torcer no país.

Desespero
A garota Mariana, recifense vivendo há um ano em Pretória, trouxe sua vuvuzela ao estádio Loftus Versfeld para ver o Brasil.

À princípio animada por estar equipada à caráter, a garota de 19 anos logo mudou de opinião sobre o artefato.

"É ensurdecedor! Não aguento mais", disse ela, poucos minutos após o início do jogo.

Antes do fim do primeiro tempo, já era bastante comum ver vários torcedores, a grande maioria branca, tapando os ouvidos em aparente desespero.

"Por favor, não na minha orelha", pedia gentilmente o americano Andrew ao garoto sul-africano sentado na cadeira de trás.

"Jesus, as vuvuzelas deveriam ser proibidas", diz ele.

Andrew e os amigos Michael e Chris, também americanos, se disseram impressionados com a forma de jogar bola dos brasileiros.

"É incrível como os brasileiros são lentos. Nos EUA, o futebol acontece a 100 milhas por hora. É preciso ter muita habilidade para jogar bola andando, se o time americano tentasse, seria uma catástrofe", disse Andrew.

"É um prazer ver o Brasil. O zagueiro de vocês acabou de tirar uma bola de calcanhar, não? Fantastico."
Festa pacífica
A única manifestação de incentivo à violência presenciada pela reportagem da BBC Brasil nesta tarde em Pretoria veio de Chris, quando Robinho recebeu uma falta de um jogador americano após tentar uma sequência de dribles atrevidos.

"Deveria ter acertado ele mais forte. Onde já se viu ficar dançando na frente do adversário?", esbravejou.

O clima pacífico pode ser medido pelo fato de muitas famílias comparecerem ao estádio e não existir separação entre torcidas. O número de homens tambem não parece superior ao de mulheres.

"As meninas aqui gostam mais de futebol do que no Brasil", diz a brasiliense Juliana, 19 anos, há um no país. "Na minha escola todas jogam e conhecem times como Flamengo, Corinthians", diz.

A sul-africana Shantel é uma delas. Vestindo uma camisa do Corinthians, diz que se encantou com o futebol brasileiro durante uma visita ao país.

"Além do futebol ser popular entre as garotas, a Copa traz um sentimento de bem-estar geral no país e todos querem participar, estar nos jogos", diz.

Mesmo assim, os estádios com grandes espaços vazios são uma preocupação da Fifa. O sul-africano J.R. diz que veio ao Loftus Park ver o jogo para "colaborar com a Copa das Confederações".

"Já vi outras partidas e pretendo ver o máximo possível. Não quero que o torneio fracasse por falta de público", diz.

Antes das semifinais, semana que vem, o Brasil enfrenta a Itália no domingo, também em Pretória, para decidir quem será o próximo adversário.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG