hóspede do Brasil - Mundo - iG" /

Seis meses depois de golpe, Zelaya continua como hóspede do Brasil

Tegucigalpa, 28 dez (EFE).- Seis meses depois de ser derrubado da Presidência de Honduras, Manuel Zelaya aguarda como hóspede da Embaixada do Brasil em Tegucigalpa o final de seu mandato, marcado para 27 de janeiro de 2010, quando assume o Governo de Porfirio Lobo.

EFE |

Zelaya reiterou que ficará na sede diplomática brasileira o tempo que for necessário. O presidente deposto está lá desde 21 de setembro, quando voltou a Honduras de forma surpreendente depois de ter sido expulso do país por militares em 28 de junho.

No dia em que o golpe de Estado completa seis meses, o assessor e porta-voz de Zelaya, Rasel Tomé, disse à rádio "Globo" que "temos que prometer que nos manteremos incansavelmente em resistência com o povo, que não calaremos nossa voz".

"Queremos dizer que as violações aos direitos humanos", o fechamento de veículos de comunicação, assassinatos e outros atos de repressão cometidos nesse período "não devem ficar impunes", acrescentou.

Segundo Tomé, o dia 28 de junho "é a data em que morre um sistema caduco, obsoleto, e nasce um processo social renovador, vivo, dinâmico, integrado pelas grandes maiorias do povo hondurenho", que é a Frente Nacional de Resistência Popular.

Este movimento manteve uma ampla mobilização para exigir a restituição de Zelaya, rejeitada pelo Congresso Nacional em 2 de dezembro, e agora sua luta se encaminha para a convocação de uma Assembleia Constituinte.

Zelaya iria celebrar em 28 de junho uma consulta popular para promover uma Constituinte. À época, ela foi declarada ilegal por vários órgãos do Estado hondurenho.

No mesmo dia, após a derrubada de Zelaya pelos militares, o Parlamento aprovou um decreto que o destituiu e designou Roberto Micheletti, até então presidente do Legislativo, como chefe de Estado. Ambos são membros do governante Partido Liberal.

Para o deputado Toribio Aguilera, do Partido Inovação e Unidade-Social-Democrata, ter evitado que Honduras ficasse sob a influência do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, é uma das consequências positivas da queda de Zelaya.

"Conseguimos resgatar a democracia hondurenha do projeto chavista, isso é definitivo", disse Aguilera à Agência Efe.

Segundo o deputado, é "positivo para todos" que o Parlamento analise a concessão de anistia política aos envolvidos no ocorrido em 28 de junho.

O Congresso Nacional também precisa ratificar a recente decisão de Micheletti de retirar Honduras da Aliança Bolivariana para as Américas (Alba), organização da qual o país passou a fazer parte em 2008, durante o mandato de Zelaya.

O deputado acrescentou que a gestão de Micheletti "pôs ordem nas finanças públicas", mas reconheceu que Lobo receberá uma situação difícil neste aspecto.

Para Aguilera, a eleição de Lobo "é o ponto de partida para reiniciar as relações que tínhamos" com a comunidade internacional.

Lobo, do opositor Partido Nacional, tem o desafio de conseguir a aceitação da comunidade internacional, que não reconhece o Governo de Micheletti e, em sua maioria, também não validou os resultados das eleições de 29 de novembro por considerar que foram realizadas em uma situação de ruptura constitucional.

Segundo Lobo, a comunidade internacional pede o total cumprimento do acordo que representantes de Micheletti e Zelaya assinaram em 30 de outubro na busca de resolver a crise política, o que garantiria o acesso de seu Governo a quase US$ 2 bilhões em verbas de ajudas estrangeiras.

A comunidade internacional exige a anistia política - que foi excluída do acordo -, além da formação de um Governo de reconciliação e de uma Comissão da Verdade. EFE lam/bba

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG