Publicidade
Publicidade - Super banner
Mundo
enhanced by Google
 

Seis anos de mobilização fizeram de Ingrid um ícone na França

A situação de Ingrid Betancourt mobilizou, durante seis anos, as mais altas autoridades do Estado francês, assim como artistas, organizações e personalidades de todo o tipo, transformando-a em um verdadeiro ícone na França e símbolo do drama de cerca de 3.000 reféns na Colômbia.

AFP |

O próprio presidente Nicolas Sarkozy havia feito da libertação dessa cidadã franco-colombiana uma "prioridade" de sua ação diplomática, elevando-a ao patamar de "causa nacional". Tanto os políticos de direita como os de esquerda defenderam a causa de Betancourt.

Retratos gigantes da refém foram instalados nas fachadas de vários prédios públicos, inclusive em Paris, e a ex-candidata à presidência da Colômbia foi declarada cidadã de honra em várias cidades francesas.

Um abaixo-assinado reuniu quase 600.000 assinaturas para uma solução negociada do conflito na Colômbia.

No início da semana, uma foto de Ingrid foi içado no cume do Mont Blanc nos Alpes franceses.

Poucos são os que, hoje, na França, não conhecem seu nome e o rosto de seus filhos, Mélanie e Lorenzo Delloye, que tinham 16 e 13 anos, respectivamente, quando ela foi seqüestrada em 23 de fevereiro de 2002 pela guerrilha das Farc.

Os dois se transformaram na ponta-de-lança da mobilização pela libertação de sua mãe e dos outros reféns na Colômbia, destroçada por uma guerra civil não declarada.

"A mobilização foi extraordinária na França e em outros países como Bélgica e Itália. Houve muitas pessoas que se mobilizaram e que mostraram aos políticos que era preciso se mexer", disse Mélanie Delloye à AFP.

Entre eles, estão artistas e escritores, como Marek Halter, Robert Hossein, ou o prêmio Nobel da Paz Elie Wiesel, que escreveu o prefácio de um livro com a última carta enviada por Ingrid para a família, em dezembro.

O cantor popular Renaud escreveu uma canção chamada "Na selva", amplamente tocada nas rádios e que se tornou o "hino" dessa mobilização.

Além disso, a família recebeu milhares de mensagens de apoio. "Não podem imaginar o número de pessoas que me abordavam nas ruas e que tinham os olhos cheios de lágrimas", relatou a irmã da ex-refém, Astrid Betancourt.

Ingrid também virou símbolo da mulher corajosa, rebelde até o fim, imagem reforçada pelos relatos dos ex-reféns libertados.

Outros se perguntam por que a França se mobilizou por ela, enquanto outra franco-colombiana seqüestrada em 2001, Duvaltier, morreu quase que em meio à indiferença geral.

O último vídeo, no qual se vê uma Ingrid muito magra e abatida, provocou grande comoção na França.

"No início, ninguém a conhecia. Depois, tornou-se o símbolo da tragédia da vida de refém e seus filhos, símbolo da coragem", resumiu Hervé Marro, porta-voz do Comitê de Solidariedade com Ingrid Betancourt (CSIB).

"Tornou-se um ícone e símbolo da luta pelos direitos humanos", afirmou o vice-presidente da Federação Internacional dos Comitês Ingrid Betancourt (FICIB), Olivier Roubi.

"A libertação de Ingrid Betancourt é o desfecho de seis anos de luta que deram resultado. É uma luta que merece ser levada até o fim. Isso prova que nunca se deve desistir", disse Lorenzo Delloye, nesta quarta-feira.

ib/tt

Leia tudo sobre: iG

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG