O principal desafio militar da força das Nações Unidas no Haiti, Minustah, é garantir um nível de segurança que permita ao país consolidar suas instituições e, com a ajuda indispensável da comunidade internacional, caminhar da miséria para a auto-sustentabilidade, opinou o general brasileiro Floriano Peixoto, comandante militar da missão.

O objetivo é "estabilizar o país de forma a que outras agências, nacionais e internacionais, possam trabalhar libremente, no sentido de conseguir realizar uma tarefa hercúlea, dificílima, e levar o pais a uma condição de auto-sustentabilidade", explicou Peixoto, em entrevista à AFP.

Apesar dos progressos em matéria de segurança, a condição de vida dos hatianos mudou muito pouco, com 80% da população vivendo na pobreza extrema.

Em cinco anos, desde que foi instalada a Minustah, ainda observamos "extrema miséria, extrema dependência", destacou Peixoto, para quem a segurança depende "diretamente" do nível de desenvolvimento a ser alcançado pelo país.

No seu entender, só com melhores condições de vida a situação de segurança poderá melhorar no país caribenho.

"A segurança, embora seja condição fundamental para o desenvolvimento, não enche barriga, não aplaca a fome, não dá emprego direto", citou como exemplo, assinalando ser indispensável o apoio da comunidade internacional para fomentar o desenvolvimento econômico do Haiti.

"É muito difícil atingir essa condição de auto-sustentabilidade, pricipalmente por causa da carência enorme de recursos financeiros pela qual passa o país. É preciso haver um mínimo de condição financeira básica, para que, a partir daí, o país possa conhecer o progresso", analisou.

"A comunidade internacional deve, verdadeiramente, apoiar o país na elaboração de projetos básicos executados de forma a assegurar a decolagem do Haiti para outros planos mais importantes", acrescentou.

A Minustah não tem entre suas atribuições diretas contribuir para o desenvolvimento da infraestrutura no Haiti; isto acontece indiretamente, através de obras previstas destinadas a facilitar a mobilização de tropas, colaborar na sua manutenção, incluindo-se construções mínimas de pontes ou trechos de estradas, que tanta falta fazem à nação mais pobre das Américas.

Esse mandato, no entanto, poderia ser modificado, por decisão da ONU e se o governo haitiano o aceitar.

No momento, a Minustah continuará como até então, patrulhando e contribuindo para manter a segurança num país com uma polícia nacional incipiente, com pouco treinamento, e com recursos materiais muito limitados.

Essa polícia será a que, no futuro, deverá garantir a segurança no país porque "a realidade é que não ficaremos aqui para sempre", afirmou Peixoto.

Poderia se pensar em retirada ou redução de efetivos da Minustah a curto prazo?

"Diminuir o pessoal eu não creio, o que pode haver e é desejável que ocorra é uma redistribuição de tropas", explicou Peixoto.

Hoje, temos maior número de tropas de combate. "O que deve acontecer (...) é uma substuição dessas tropas por outros elementos como, por exemplo, unidades de engenharia e policiais, precisou.

"Dentro dos efetivos que o Conselho de Segurança autorizou para o Haiti seria interessante, que houvesse uma redistribuição de modo a que a missão classificada de missão de estabilização passasse a ser de construção, recebendo tropas diferentes, voltadas para a reconstrução do país", exemplificou.

"Mas, tropas de combate sempre têm que existir no Haiti" até serem sustituídas pela força nacional correspondente, concluiu.

mr/sd

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