NOVA YORK - O centro nuclear iraniano cuja existência acaba de ser revelada é perfeitamente legal, garantiu nesta sexta-feira o presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, durante uma coletiva em Nova York.


"Informamos a AIEA (Agência Internacional da Energia Atômica) há algum tempo. Deveríamos ser incentivados por isso, foi perfeitamente legal", declarou.

"Eles acusam um governo independente sem se documentar", denunciou, referindo-se aos dirigentes dos Estados Unidos, da França e do Reino Unido, que acusaram o Irã de ter desenvolvido um centro nuclear secreto e ameaçaram a República Islâmica com novas sanções "severas".

Os três líderes fizeram um breve discurso em Pittsburgh, nesta sexta-feira, antes do início das reuniões do G20, grupo dos 20 maiores países desenvolvidos e emergentes.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que existência desta segunda instalação, que foi ocultada "durante anos", não é compatível com um programa civil.

Sem mudanças na atitude do regime de Teerã, o "país fica exposto a sanções", declarou o presidente francês, Nicolas Sarkozy. A Grã-Bretanha é partidária de "sanções mais severas", completou em seguida o premiê Gordon Brown.


Obama, Sarkozy e Brown condenaram programa nuclear do Irã / AP

Nova usina do Irã

O Irã anunciou à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que está construindo uma segunda usina de enriquecimento de urânio, além da central de Natanz, informou a agência em Viena.

"Em 21 de setembro, o Irã informou à AIEA em uma carta que o país está construindo uma nova usina de enriquecimento de urânio", afirma o porta-voz da agência da ONU, Marc Vidricaire, em um comunicado.

"Nesta carta, o Irã assegura à agência que informações complementares serão fornecidas no 'momento apropriado'", acrescenta a noita de Vidricaire.

"Em sua resposta, a AIEA pediu ao Irã que apresente informações específicas e conceda acesso à instalação o mais rápido possível. Isto permitirá à agência avaliar os requisitos para a verificação da proteção desta instalação", completa.

Até agora, o Irã tinha apenas uma usina de enriquecimento de urânio em funcionamento, em Natanz.

A carta destaca que o nível de enriquecimento seria de até 5,0%, que é um nível baixo de enriquecimento e não elevado o suficiente elevado para fabricar o material físsil de uma bomba atômica.

O urânio pouco enriquecido é utilizado para fabricar combustível nuclear. "A agência também entende que, segundo o Irã, não foi introduzido material nuclear na instalação", completa o comunicado da AIEA.

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