Seguidores de Zelaya defendem boicote às eleições de novembro

Tegucigalpa, 27 ago (EFE).- Seguidores do presidente de Honduras deposto Manuel Zelaya pediram hoje aos hondurenhos para desconhecer as eleições de novembro, que, na opinião dos setores políticos tradicionais, é a melhor saída à crise que se instaurou no país.

EFE |

"Convocamos o povo a não se prestar a esta manobra dos golpistas", ressaltou o líder rural Rafael Alegria, um dos coordenadores do movimento popular que exige a restituição de Zelaya, deposto em 28 de junho.

Votar em 29 de novembro "é legitimar o golpe de Estado", disse Alegria em um novo ato pelas ruas de Tegucigalpa para pedir a volta de Zelaya, que foi substituído por Roberto Micheletti por designação do Parlamento.

O Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) convocou as eleições em 28 de maio, um mês antes da deposição de Zelaya, e a campanha eleitoral começa na segunda-feira.

A comunidade internacional advertiu que, se Zelaya não for reinstalado, não reconhecerá os resultados das eleições nem o novo Governo, que assumirá em 27 de janeiro de 2010.

Micheletti, designado para concluir o mandato de quatro anos para os quais Zelaya foi eleito, em 2005, reiterou na terça-feira passada a uma missão de chanceleres de países da Organização dos Estados Americanos (OEA) que as ameaças não vão deter o processo eleitoral.

"Vai haver eleições, quer os países do mundo nos reconheçam, quer não nos reconheçam", afirmou o governante de fato, que é do Partido Liberal, no poder e o mesmo de Zelaya.

O candidato presidencial liberal, Elvin Santos, que foi vice-presidente de Zelaya, mas renunciou em 2008, ressaltou que "as eleições têm que ocorrer em 29 de novembro; se não, a lei estaria sendo violada".

"As eleições são prezadas para os hondurenhos", por isso é preciso "sustentar o processo eleitoral" para superar a crise política originada pela deposição de Zelaya, afirmou Santos a jornalistas.

O candidato do opositor Partido Nacional, Porfirio Lobo, destacou que "o processo segue, ninguém o deterá", e pediu que o diálogo continue não só sobre o caso do líder destituído, mas sobre o resto dos problemas de Honduras.

Lobo, que perdeu nas eleições de 2005 para Zelaya, minimizou as ameaças de países e organismos internacionais ao destacar que "o importante é o reconhecimento dos hondurenhos a um processo e a um resultado eleitoral".

Ele pediu à comunidade internacional que "ajude a garantir o processo" e a "entender que não há nenhuma solução mais importante para Honduras que as das eleições em novembro".

"Aí estão todas as opções no leque eleitoral", disse.

Rafael Alegria afirmou à Agência Efe que "o povo hondurenho não se prestará ao jogo dos políticos golpistas e se pronunciará contra as eleições".

O processo eleitoral não terá "nenhuma validade perante a comunidade internacional porque está ocorrendo dentro de um golpe de Estado contra Manuel Zelaya", expressou o dirigente.

Dos seis candidatos presidenciais, o governista Santos e o opositor Lobo, que foram escolhidos nas primárias em 2008, são os que têm mais possibilidades de vitória, pois os partidos aos quais pertencem são os tradicionais e majoritários do país.

Os outros aspirantes são Bernard Martínez, do Partido Inovação e Unidade Social-Democrata; Felícito Ávila, da Democracia Cristã; César Ham, da Unificação Democrática (esquerda) e Carlos Reyes, independente; os dois últimos partidários de Zelaya.

Em 29 de novembro os hondurenhos elegerão o novo presidente e três designados (vice-presidentes); 128 deputados ao Congresso nacional e 20 ao Parlamento Centro-Americano, e 298 corporações municipais para o período 2010-2014.

Desde que Honduras retornou à ordem constitucional, em 1982, houve sete eleições gerais no país, das quais em cinco vezes a legenda vitoriosa foi o Partido Liberal (1981, 1985, 1993, 1997 e 2005), enquanto o Partido Nacional ganhou nas de 1989 e 2001. EFE lam/db

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