Seguidores de primeiro-ministro tailandês deposto protestam em Bangoc

Bangcoc, 28 dez (EFE).- Centenas de seguidores do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra protestaram hoje contra o Executivo no centro de Bangcoc sob forte esquema policial, o que faz temer uma nova crise como a que manteve o Governo do país paralisado durante meses.

EFE |

Os seguidores de Shinawatra, reunidos na chamada Aliança Democrática contra a Ditadura, se reuniram no centro de Bangcoc e partiram em direção ao Parlamento, onde colocaram barricadas para tentar evitar o comparecimento previsto para amanhã do atual primeiro-ministro, Abhisit Vejjajiva, eleito em 17 de dezembro.

A Polícia destacou cerca de 3 mil agentes na capital para controlar possíveis distúrbios como os que deixaram dois mortos e dezenas de feridos em outubro, mas o premier descartou a utilização da força na dissolução dos protestos.

As forças da ordem também distribuíram panfletos entre os manifestantes convocados na esplanada de Sanam Luang, próxima ao Grande Palácio e ao templo de Watt Phra Kaew, avisando sobre as conseqüências legais de suas ações.

Os idealizadores das novas mobilizações são os oponentes dos ativistas que contribuíram para a dissolução dos últimos dois Governos e propiciaram a crise que resultou, em novembro, no bloqueio dos dois principais aeroportos da capital durante mais de uma semana.

Vestidos com camisas vermelhas, membros da Aliança Democrática contra a Ditadura consideram que o Governo do atual primeiro-ministro carece de legitimidade, já que ele chegou ao poder após a inabilitação por parte do Tribunal Supremo de seu antecessor, Somchai Wongsawat.

"Queremos que Abhisit dissolva o Parlamento porque carece de legitimidade", disse ontem Jatuporn Prompan, um dos líderes das novas manifestações.

A inabilitação de Wongsawat e a dissolução de sua formação política, o Partido do Poder do Povo (PPP), foram precisamente as circunstâncias que motivaram o fim dos protestos.

O objetivo da Aliança Popular para a Democracia era expulsar do Executivo os seguidores de Shinawatra, a quem acusam de corrupção.

Agora, os partidários de Shinawatra ameaçaram novos protestos em todo o país caso Vejjajiva não dissolva seu Executivo.

"Estaremos em qualquer lugar que o primeiro-ministro visitar", disseram os manifestantes.

As eleições de Vejjajiva, terceiro primeiro-ministro tailandês em menos de quatro meses, foi vista por muitos analistas como a esperança de pôr fim um longo período de turbulências políticas no país, desencadeadas após as eleições de 2007, que deram a vitória aos seguidores de Shinawatra, deposto por um golpe de Estado militar em 2006.

Vejjajiva chegou ao poder com uma mensagem de união e o objetivo de acabar com a divisão da sociedade tailandesa, além de restabelecer a imagem do país no exterior - medida para revitalizar o prejudicado setor do turismo.

No entanto, a sombra de Shinawatra, premier mais polêmico da história recente da nação, segue presente na arena política tailandesa, apesar de ele se encontrar exilado em Dubai.

Quatro dias depois da decisão do Tribunal Supremo de inabilitar seu cunhado, Somchai Wongsawat, Shinawatra compareceu em Bangcoc através de uma videoconferência para qualificar a decisão judicial de "golpe de Estado encoberto", incentivando seus partidários a iniciar os protestos. EFE tai/ab/dp

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