Paris, 23 nov (EFE).- À espera que o Conselho Nacional do Partido Socialista proclame oficialmente o nome de sua nova, os eleitores das duas candidatas, Martine Aubry e Ségolène Royal travam hoje uma guerra de números e tiram votos de onde podem, durante a recontagem para retificar erros de apuração.

Várias federações locais denunciaram irregularidades na apuração, que poderiam inclinar a balança a favor de uma ou outra, já que a diferença do resultado divulgado na sexta-feira foi de apenas 42 votos a favor de Aubry, prefeita de Lille.

A federação de Moselle (noroeste), por exemplo, informou que tinha atribuído por erro 12 votos a Aubry que estavam destinados a Royal e em Gironde (sudoeste) também se retificou a apuração, após constatar uma falha na transmissão de dados que favoreceu Royal em 41 votos.

Situações semelhantes foram detectadas em outros lugares, incluída Lille, reduto de Aubry, quem lançou uma clara advertência e uma chamada à unidade a todos os socialistas, ao afirmar: "Perderemos todos se não formos capazes de nos unir".

Ela, que representa a velha-guarda, mais esquerdista, do partido, é por enquanto a vencedora e assim o deu por feito em sua primeira aparição pública após a votação, na qual disse claramente que será a nova primeira-secretária de "todos os militantes socialistas".

Sua mensagem foi classificada de "muito estranha" por sua oponente, a ex-candidata presidencial que pretende abrir o partido rumo ao centro, Ségolène Royal, que se disse "surpreendida que alguém possa se autoproclamar, sem que as instâncias correspondentes tenham ratificado sua nomeação".

A última palavra será do Conselho Nacional do partido, no qual são mais numerosos os partidários da prefeita e que deve se reunir-se na terça-feira para validar a apuração da sexta ou para iniciar os procedimentos que considere oportunos.

Antes dessa reunião, haverá outra, amanhã, de uma comissão específica que se encarregará de fazer uma nova apuração de votos e de verificar as denúncias de fraude no processo que se acumulam nas últimas horas.

Essa comissão será formada por três representantes de cada uma das candidatas e um em qualidade de observador, do terceiro aspirante, o eurodeputado, Benoit Hamon, eliminado no primeiro turno.

Eles farão um relatório que será remitido ao Conselho Nacional.

Independentemente que se decida ratificar a vitória de Aubry ou ceder ao pedido de Royal para organizar uma nova votação, todos os analistas e analistas políticos coincidem em que a divisão do partido é mais profunda do que nunca e que existe risco, inclusive, de cisão.

Suas previsões coincidem apesar das contínuas chamadas à calma e à unidade desde os dois grupos, como o que fez em repetidas ocasiões desde as eleições da sexta-feira o atual primeiro-secretário do partido, François Hollande, ex-marido de Royal e pai de seus quatro filhos.

Enquanto isso, o Governo ironiza a capacidade de "autodestruição" do partido que derrotou nas eleições no ano passado.

"Nós não tivemos nunca este tipo de psicodramas"; há regras do jogo que sempre se respeitaram, disse a ministra do Interior, Michèle Alliot-Marie.

Na sua opinião, a crise do Partido Socialista reflete um claro problema de "posicionamento político". EFE pi/jp

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