Segue mistério sobre identidade de jornalistas seqüestrados na Somália

Abukar Albadri. Mogadíscio, 26 nov (EFE).- Dois jornalistas, sobre cujas nacionalidades ainda pairam dúvidas, foram seqüestrados hoje no norte da Somália, onde faziam a cobertura do recente aumento das atividades piratas em águas somalis.

EFE |

Em princípio, fontes da Polícia e do Governo de Puntlândia, região autônoma do extremo nordeste somali onde piratas têm seu refúgio, disseram à Agência Efe que os seqüestrados eram um espanhol e um britânico.

Posteriormente, essas fontes corrigiram sua primeira versão e informaram que os seqüestrados eram um francês e um espanhol, o que foi logo desmentido por um porta-voz do Governo de Puntlândia, que disse se tratarem de um britânico e um irlandês.

Mais tarde, o motorista do veículo em que um dos jornalistas viajava quando foi capturado, Libam Said Omar, informou à Efe, por telefone, que o fotógrafo seqüestrado era espanhol, se chamava José Cendón e trabalhava para a agência de notícias francesa "AFP".

Em todo caso, ainda não foram divulgados oficialmente os nomes dos dois seqüestrados, o que contribui para aumentar a confusão.

Os dois seqüestros aconteceram em Bossaso, capital de Puntlândia, e Bile Mohamoud, assessor de Informação da Presidência dessa província, disse à Efe, por telefone, "se tratarem de um britânico e um irlandês".

No entanto, procurado pela Efe, ele admitiu que previamente acreditavam que eram um francês e um espanhol e manifestou que ainda tinha "dúvidas sobre as nacionalidades", enquanto assegurava que estão sendo feitas investigações sobre o seqüestro.

"Ordenamos que a Polícia investigue e capture os seqüestradores, mas por enquanto não sabemos para onde fugiram", disse Mohamoud.

O porta-voz da Polícia de Puntlândia, Abshir Jama, também disse à imprensa local que se tratava de um espanhol e um britânico.

Apesar dessas dúvidas, se sabe que homens armados, segundo a Polícia e testemunhas, assaltaram os jornalistas, um em seu hotel de Bossaso e outro em um carro, quando se dirigia ao hotel, e os levaram para local ainda desconhecido.

Uma testemunha, Yahya Mohammed Amir, de 35 anos, disse à Efe por telefone em Bossaso que o grupo de seqüestradores "parecia muito organizado, porque os autores dividiram o trabalho e, enquanto capturavam um jornalista no hotel, outros pegavam outro no caminho".

Outros dois jornalistas estrangeiros seguem desaparecidos na Somália desde que foram seqüestrados em agosto passado, junto com um cinegrafista somali que se encontrava com eles.

Os jornalistas e empregados de organizações humanitárias estrangeiros foram o alvo de grupos armados na Somália, sobretudo em Bossaso, que seqüestraram alguns deles para cobrar resgates.

Em dezembro de 2007, um grupo somali seqüestrou a médica espanhola Mercedes García e a enfermeira argentina Pilar Bauza, que foram postas em liberdade em janeiro após pagamento de resgate.

Puntlândia já declarou sua autonomia da Somália, país que não tem um Governo firme desde 1991, quando foi derrubado o ditador Mohammed Siad Barre. A província fica no litoral do golfo de Áden, que dá acesso ao Mar Vermelho e ao Canal de Suez, por onde passa boa parte do tráfego marítimo mundial.

O caos político em que está imerso o país, com um Governo Federal de Transição fracassado e com grande parte de seu território sob o controle de milícias islâmicas e alguns senhores da guerra, fez com que proliferassem grupos armados e, em Puntlândia, os piratas, que ameaçam a navegação. EFE aa/rr

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