Sede do G8, Áquila ainda registra tremores diariamente

O Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia da Itália registrou, na manhã desta quarta-feira, leves tremores de terra de 2,4 graus na escala Richter na cidade de Áquila, onde líderes do G8 se reúnem para seu encontro anual, em meio a um esquema de segurança que prevê a transferência do encontro para Roma, se os abalos superarem os 4 graus. Segundo Luigi Gucci, técnico do Instituto, abalos como estes tem sido comuns na região de Áquila, que foi devastada por um terremoto de 5,8 graus, no último dia 6 de abril, em que cerca de 300 pessoas morreram.

BBC Brasil |

"São tremores que fazem parte do fenômeno de ajustamento do terreno. Registramos diversos abalos como estes diariamente", disse o técnico à BBC Brasil. Ele afirmou, contudo, que não é possível prever quando novos tremores vão ocorrer, nem se a intensidade deles vai ser mais forte.

Mas o chefe da Defesa Civil italiana, Guido Bertolaso, disse não estar preocupado com possíveis terremotos durante a cúpula do G8.

Segundo ele, a fortaleza de Coppito, que além de sediar o encontro vai hospedar os cerca de 1,5 mil participantes, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é segura e não sofreu danos no terremoto de abril.

"Coppito é capaz de suportar todos os tremores equivalentes aos que se verificaram ao longo da história no território de Áquila", afirmou Bertolaso a jornais italianos.

Difícil acesso
Além do plano de transferência para Roma, foi montado um imponente esquema de segurança, com 15 mil policiais, bombeiros, soldados e voluntários, que vai controlar a região de Áquila e de Roma para evitar possíveis ataques terroristas e manifestações violentas.

Baterias lança-mísseis foram instaladas no percurso que será feito pelas delegações, do aeroporto de Áquila até a fortaleza de Coppito. No patrulhamento aéreo, serão usados 12 helicópteros e sete aviões, entre eles o invisível Predator.

Lojas, restaurantes, hotéis e supermercados próximos a Coppito permanecerão fechados durante o encontro, e os moradores poderão circular apenas se tiverem crachá de identificação.

A cúpula do G8 estava originalmente marcada para ocorrer na ilha Madalena, na Sardenha. A decisão de mudá-la para Áquila ocorreu após o terremoto de abril, com o objetivo de chamar a atenção para as vítimas da tragédia, e substituir o luxo e a ostentação da ilha com a sobriedade e a contenção de gastos.

Segundo as autoridades italianas, há também um motivo estratégico para a escolha de Áquila. A localização geográfica da cidade, que tem as montanhas do Abruzzo à sua volta, facilita o controle da área e dificulta o acesso de manifestantes.

A Itália já foi sede de outras cúpulas do G8. A última, em Gênova, em 2001, foi marcada pela violência entre polícia e manifestantes, e deixou um jovem morto.

Para o analista político Raffaele De Mucci, a destruição provocada pelo terremoto deve manter os manifestantes à distancia.

"Áquila está com poucas e ineficientes vias de comunicação. É lógico, portanto, que o trabalho dos agentes de segurança fique mais fácil, o que não exclui que haja manifestações hostis, talvez, em cidades próximas", disse ele à BBC Brasil.

Grupos de manifestantes confirmaram que estão encontrando dificuldade para chegar até Áquila, onde está prevista uma manifestação na sexta-feira, dia de encerramento do encontro.

"É praticamente impossível chegar. Somente duas estradas ligam a cidade ao resto da Itália e uma delas foi destruída pelo terremoto", disse à BBC Brasil Mônica Di Sisto, ativista do grupo Fair Itália.

Segundo ela, as cerca de 24 mil pessoas que perderam suas casas por causa do terremoto e vivem em acampamentos na região também terão dificuldades para participar da manifestação, já que não podem deixar o local sem autorização.

Outras 30 mil pessoas estão morando em hotéis desde o terremoto.

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